ITÁLIA — A polícia italiana prendeu 17 pessoas e desmantelou uma rede internacional que distribuía material de abuso sexual infantil por meio do Telegram. A operação, chamada “Fly Trap” (“Armadilha para Moscas”), revelou uma organização com estrutura sofisticada, segundo os promotores de Roma.
A investigação avançou depois que um agente italiano se infiltrou no grupo. Ele conquistou a confiança dos administradores, tornou-se coadministrador e acessou canais privados usados pela rede. “Essa organização era estruturada como uma empresa multinacional”, afirmou o procurador de Roma, Francesco Lo Voi, em entrevista coletiva.
Os investigadores apreenderam cerca de 283 gigabytes de conteúdo ilegal, com mais de 22 mil vídeos e 34 mil imagens envolvendo crianças de até quatro anos de idade. A rede era comandada por quatro italianos e um cidadão suíço, de acordo com as autoridades.
Pagamentos e cooperação internacional
O grupo mantinha uma comunidade no Telegram chamada “New Saga”, com mais de mil usuários em diferentes países. O acesso aos arquivos dependia de pagamentos em criptomoedas, descritos como “doações” de três a nove dólares, ou do envio de novos materiais.
As autoridades italianas identificaram 996 contas associadas a usuários de 98 países e compartilharam as informações com forças de segurança estrangeiras. A cooperação resultou em novas prisões fora da Itália.
Os administradores, com idades entre 22 e 28 anos, usavam um canal privado chamado “La Sala dei Re” (“A Sala dos Reis”) para coordenar as atividades. Eles administravam grupos, mantinham servidores, moderavam conteúdos e criavam robôs capazes de reconstruir a comunidade quando algum canal era fechado pelo Telegram.
A investigação começou em 2024, após um alerta da agência norte-americana Homeland Security Investigations (HSI). Os promotores italianos informaram que as apurações continuam para identificar outros envolvidos e possíveis ramificações em diferentes países.







