Dores de cabeça frequentes, intensas ou diferentes do padrão habitual precisam de avaliação médica. O atendimento deve ser imediato quando a dor surge de forma súbita e muito intensa, depois de uma pancada na cabeça ou junto de fraqueza, confusão, alteração da fala ou perda de consciência.
Em episódios leves e conhecidos, algumas medidas podem reduzir o desconforto quando tensão muscular, esforço visual ou excesso de estímulos digitais participam do quadro. As estratégias não substituem a investigação da causa nem o acompanhamento profissional quando a necessidade de recorrer a analgésicos ou técnicas caseiras se torna constante.
Interrompa a exposição às telas
Passar diretamente do computador para o celular não representa necessariamente descanso para o cérebro. O neurologista Matheus Gomes, dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, afirma que o tempo total diante das telas pode ser mais importante para a fadiga mental do que a finalidade de uso de cada aparelho.
A exposição prolongada também pode estar associada a olhos cansados, ressecamento, brilho excessivo, alterações no sono e sensação de mente acelerada. Gomes afirma que “a exposição contínua a telas está relacionada à fadiga mental”.
Uma orientação da American Optometric Association é a regra 20-20-20: a cada 20 minutos, olhar por pelo menos 20 segundos para algo a cerca de 6 metros de distância. Piscar regularmente e fazer pausas reais, sem substituir uma tela por outra, também pode ajudar.
Diminua a tensão do corpo
A respiração diafragmática pode ser usada quando estresse e tensão fazem parte do quadro. O procedimento consiste em inspirar de forma confortável, deixando o abdômen se expandir, e liberar o ar lentamente. Uma revisão sistemática publicada no Journal of Clinical Medicine encontrou efeitos positivos sobre o estresse psicológico e alguns marcadores fisiológicos, embora os estudos tenham usado protocolos diferentes. A técnica não deve ser tratada como um tratamento para a dor de cabeça.
A massagem suave é outra possibilidade nos casos em que a dor vem acompanhada de tensão muscular, especialmente na cefaleia tensional. Movimentos circulares nas têmporas, na testa e na região próxima à base do crânio podem ser feitos por alguns minutos. A pressão não deve ser forte e a prática precisa ser interrompida se aumentar a dor. Ensaios clínicos encontraram redução da frequência e da intensidade das dores em determinados grupos.
Depois de permanecer muito tempo na mesma posição, alongamentos leves e movimentos confortáveis podem aliviar a tensão no pescoço e nos ombros. Movimentos bruscos ou tentativas de forçar o pescoço devem ser evitados. Alternar a posição, levantar-se periodicamente e ajustar a altura da tela e da cadeira são outras medidas indicadas para quem passa muitas horas sentado.
Use estímulos físicos com cautela
O contato do rosto com água fria provoca uma resposta automática chamada reflexo de mergulho, que pode reduzir temporariamente a frequência cardíaca. Estudos experimentais observaram esse efeito durante a imersão facial, mas a evidência é limitada e não permite considerar a prática um tratamento para dor de cabeça ou ansiedade. Não é necessário usar água extremamente gelada.
Elevar as pernas por alguns minutos pode ajudar quando o desconforto ocorre após um dia inteiro sentado ou em pé e vem acompanhado de peso ou inchaço nos membros inferiores. A medida não trata diretamente a dor de cabeça. Inchaço súbito, principalmente em apenas uma perna, ou acompanhado de dor, vermelhidão ou calor exige avaliação médica.







