O Ministério da Saúde informou que o Programa Farmácia Popular estuda incluir exames e biometria na retirada de medicamentos. As medidas fazem parte da chamada Farmácia 4.0 e estão em análise por um Grupo de Trabalho (GT), criado após a publicação, em agosto, de uma nova regulamentação para o programa.
A proposta também prevê a modernização tecnológica, a ampliação do acesso e o aprimoramento da fiscalização. Entre as possibilidades avaliadas estão a substituição de documentos físicos por biometria e o aumento do número de unidades credenciadas em áreas classificadas como vazios assistenciais.
O GT ainda analisa a integração de bases governamentais, o monitoramento automatizado das dispensações, a avaliação de risco dos estabelecimentos e a emissão de alertas para transações atípicas. De acordo com o Ministério da Saúde, o objetivo é ampliar a transparência, a segurança jurídica e os controles do programa.
Atendimento a idosos e mulheres
Entre janeiro e agosto deste ano, o programa registrou 17,3 milhões de usuários com mais de 60 anos. Esse grupo corresponde a quase 71% dos beneficiários, enquanto as mulheres representam mais de 63% dos usuários. Em 2026, mais de 24,5 milhões de pessoas foram atendidas pelo serviço, presente em cerca de 5 mil municípios do país.
Para idosos, o Farmácia Popular oferece medicamentos contra doenças como Parkinson, que atinge cerca de 1,5% da população idosa. A retirada gratuita pode representar uma economia de até R$ 1.500 em um ano. O programa também fornece fraldas geriátricas, com economia anual de até R$ 3.240.
As mulheres podem retirar contraceptivos hormonais injetáveis ou orais e absorventes higiênicos. O programa é apontado como um dos principais canais ativos de combate à pobreza menstrual no país.
Medicamentos e evolução do serviço
Entre os itens mais retirados estão losartana potássica, hidroclorotiazida, cloridrato de metformina, dapagliflozina e sinvastatina, usados no tratamento de hipertensão arterial, diabetes mellitus e colesterol. Ao todo, o Farmácia Popular oferece 41 itens de saúde, incluindo produtos para diabetes, hipertensão, asma, rinite e osteoporose.
Dados do Ministério da Saúde mostram que o número de usuários cresceu quase 25% nos últimos três anos: foram 21,9 milhões em 2023, 24,7 milhões no ano seguinte e mais de 27,3 milhões em 2025.
Para Fernanda De Negri, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, o programa é fundamental para a assistência à saúde. “É um Programa que vem crescendo ao longo dos anos e temos estudado aprimoramentos importantes”, afirmou.
O Boletim Epidemiológico Saúde da Mulher Brasileira, publicado pelo Ministério da Saúde em 2023, cita doenças isquêmicas do coração, doenças cerebrovasculares e diabetes mellitus entre as que mais acometem as mulheres. O Farmácia Popular disponibiliza medicamentos para tratar ou auxiliar na prevenção dessas condições.







