São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Saúde

Café pode afetar intestino, medicamentos, colesterol e absorção de ferro

Além da cafeína, centenas de compostos presentes no café interagem com o sistema digestivo, o microbioma e outros processos do organismo.

Café pode afetar intestino, medicamentos, colesterol e absorção de ferro
Foto: Jean-Louis Aubert/Unsplash/

O café contém centenas de compostos bioativos capazes de interagir com o sistema digestivo, o microbioma, medicamentos e nutrientes. Esses efeitos podem ocorrer tanto com a bebida comum quanto com o descafeinado e vão além da conhecida sensação de alerta provocada pela cafeína.

Efeitos no intestino e no estômago

Cerca de três em cada dez pessoas afirmam sentir vontade de ir ao banheiro logo depois de tomar café. A reação pode ocorrer rapidamente e não depende apenas da cafeína. O cólon também tende a ficar mais ativo pela manhã, período em que muitas pessoas tomam a primeira xícara. Leite e alguns adoçantes sem açúcar podem estimular ainda mais o intestino, especialmente em grandes quantidades.

A bebida também pode estimular o pâncreas a liberar tripsina, enzima envolvida na digestão de proteínas. Esse efeito aparece com café comum e descafeinado. O café ainda pode influenciar hormônios ligados ao apetite e à saciedade, mas os estudos não mostram de forma consistente se isso faz uma pessoa comer mais ou menos.

Em algumas pessoas, o café agrava o refluxo. O retorno do ácido do estômago ao esôfago pode estar associado não apenas à azia, mas também a tosse, chiado no peito e outros sintomas respiratórios quando atinge a garganta e as vias aéreas.

Relações com olhos, ouvidos e enxaqueca

A cafeína pode elevar temporariamente a pressão dentro dos olhos em algumas pessoas com glaucoma ou hipertensão ocular. Por isso, pacientes com essas condições podem ser orientados a limitar o consumo de café e cafeína.

Pessoas com disfunção da trompa de Eustáquio patulosa, condição em que essa estrutura permanece anormalmente aberta, podem ouvir a própria voz ou a respiração de forma mais intensa. Algumas são aconselhadas a reduzir bebidas com cafeína e manter-se hidratadas. Há, porém, poucas evidências diretas de que o café cause o problema.

A relação com a enxaqueca varia: a cafeína pode aliviar uma crise, mas o consumo excessivo ou a redução repentina do consumo habitual pode desencadeá-la em algumas pessoas.

Medicamentos, colesterol e nutrientes

O café pode reduzir a absorção da levotiroxina, usada no tratamento da tireoide, e do alendronato, empregado contra a osteoporose. A cafeína também pode retardar o metabolismo da clozapina, aumentando sua concentração no sangue. Já a ciprofloxacina pode fazer com que a cafeína permaneça mais tempo no organismo.

Dois diterpenos do café, cafestol e kahweol, podem elevar o colesterol total e o LDL. Em estudos de curto prazo, contudo, esses compostos reduziram a lipoproteína (a). Outros componentes, como os ácidos clorogênicos, podem diminuir modestamente a pressão arterial e melhorar a função dos vasos sanguíneos. O impacto geral da bebida sobre indicadores da saúde cardíaca ainda não está definido.

O café também pode reduzir a absorção do ferro não-heme, encontrado principalmente em alimentos vegetais, quando consumido durante a refeição. Os polifenóis, incluindo os ácidos clorogênicos, podem se ligar ao ferro no trato digestivo. O efeito é mais relevante para pessoas com baixos níveis do mineral ou que dependem muito de fontes vegetais.

Microbioma intestinal

Ácidos clorogênicos que não são absorvidos no intestino delgado chegam ao cólon e são transformados por bactérias. Carboidratos complexos e melanoidinas, formadas na torrefação, também podem alcançar essa região e ser fermentados pelo microbioma.

Pequenos estudos em humanos sugerem que o café altera a composição das bactérias intestinais, mas as evidências ainda estão em desenvolvimento. Por isso, a bebida ainda não pode ser considerada um probiótico.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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