A União Europeia declarou nesta quinta-feira (17) sua solidariedade à Arábia Saudita e pediu que os houthis encerrem todas as ações militares. O apelo ocorreu após uma nova escalada da guerra no Iêmen, que deixou pelo menos cinco mortos, incluindo três crianças em bombardeios na província de Taiz e um cidadão iemenita morto na Arábia Saudita pela queda de destroços de um drone interceptado.
A condenação foi apresentada por Anwar El Anouni, porta-voz do serviço diplomático europeu. A UE criticou ataques contra civis e infraestruturas civis em território saudita e alertou para riscos crescentes à estabilidade regional.
Os houthis, grupo apoiado pelo Irã, controlam áreas extensas do norte e do oeste do Iêmen. Após o colapso da trégua vigente desde 2022, o movimento lançou uma ofensiva e assumiu o controle da costa iemenita no Mar Vermelho, incluindo posições próximas ao estreito de Bab el-Mandeb.
Com cerca de 19 quilômetros em seu ponto mais estreito, Bab el-Mandeb liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e integra a rota entre a Europa e a Ásia pelo Canal de Suez. A ofensiva ocorre em um momento de dificuldades para o tráfego marítimo global, também afetado pelas tensões no Estreito de Ormuz. Autoridades da ONU afirmam que a continuidade dos combates aumenta o risco de expansão regional e ameaça a navegação e o transporte de petróleo.
Combates e acusações
Forças governamentais iemenitas apoiadas pela Arábia Saudita tentam recuperar áreas perdidas. Bombardeios sauditas atingiram posições houthis nas províncias de Taiz, Hodeida e Jawf, enquanto os rebeldes continuam lançando drones e mísseis contra o território saudita.
Os houthis dizem ter atacado instalações da Aramco em Yanbu e a base aérea de Khamis Mushait. O grupo também reivindicou o bombardeio e a queda de um caça saudita. Riad prometeu responder à ofensiva.
Na província saudita de Taif, uma pessoa morreu após a queda de destroços provocados pela interceptação de um drone. A Arábia Saudita acusou os houthis de tentarem atingir Meca na terça-feira (15), mas os rebeldes rejeitaram a acusação e afirmaram que seus alvos eram instalações militares e petrolíferas.
A ONU calcula que mais de 125 mil pessoas tenham sido deslocadas desde o início de setembro. Organizações internacionais alertam para o agravamento da crise humanitária no Iêmen, país considerado o mais pobre da Península Arábica antes da nova escalada militar.







