A Arábia Saudita pediu que os Estados Unidos atacassem os houthis no Iêmen, mas Donald Trump decidiu não realizar a intervenção, pelo menos por enquanto. O pedido foi feito pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman e pelo presidente do Conselho Presidencial iemenita, apoiado por Riade, durante uma ligação no domingo (20).
Autoridades do governo americano afirmaram que Trump considerou a possibilidade de atacar o grupo pró-Irã, mas recuou. A Casa Branca não comentou as informações. No mesmo dia, o presidente americano disse que os houthis haviam concordado em não atacar os Estados Unidos.
A decisão ocorreu enquanto a ofensiva dos rebeldes avançava e desorganizava as forças iemenitas apoiadas pelos sauditas. Bombardeiros americanos B-52, que aparentemente estavam prontos para decolar, receberam ordem para permanecer na pista.
Um novo ataque foi descartado diante do risco de ampliar a crise regional e pressionar os preços do petróleo, com possíveis efeitos sobre a economia mundial. A hesitação dos Estados Unidos também abriu espaço para o avanço dos houthis, estimados em 100 mil combatentes por relatórios recentes.
Avanço sobre áreas estratégicas
Em dez dias, os rebeldes assumiram o controle de pontos estratégicos do estreito de Bab el-Mandeb. A passagem liga a Ásia à Europa por meio do canal de Suez. Os houthis também passaram a controlar todo o litoral do Iêmen banhado pelo mar Vermelho, reforçando sua posição na região.
A ofensiva deixou centenas de mortos e cerca de 130 mil deslocados, segundo números divulgados pela ONU na segunda-feira (21). Apesar do apoio saudita, o Exército ligado ao presidente al-Alimi mostrou-se desorganizado, enquanto a coalizão formada em torno dos Estados Unidos apareceu enfraquecida.
O conflito começou em 2014, quando os houthis tomaram Sanaa e avançaram sobre outras regiões. Em março de 2015, a Arábia Saudita liderou uma intervenção militar. Uma trégua estabelecida em 2022 ruiu em julho, depois que os houthis autorizaram o pouso de um avião iraniano no Iêmen, desafiando o controle de Riade sobre o espaço aéreo do país.







