São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Mundo

Ligas europeias pedem limites ao poder e reforma na governança da Fifa

Premier League, Bundesliga, Serie A e La Liga defendem transparência, controle e separação entre regulação e negócios.

Ligas europeias pedem limites ao poder e reforma na governança da Fifa

As quatro principais ligas nacionais da Europa pediram nesta sexta-feira (25) uma reforma ampla na governança da Fifa. Premier League, Bundesliga, Serie A e La Liga querem mais transparência, mecanismos de controle e uma separação clara entre as atribuições regulatórias da entidade e seus interesses comerciais.

O comunicado conjunto é a primeira reação coordenada das ligas desde que Gianni Infantino abandonou, durante o verão europeu, o projeto FIFA Forward Enterprise, que previa a venda de parte dos direitos comerciais da Copa do Mundo a investidores privados. A proposta havia provocado resistência em diferentes setores do futebol.

Para as entidades, a questão não se limita ao abandono desse projeto. As ligas criticam a concentração de poderes na Fifa e afirmam que a direção da organização passou a incentivar iniciativas de exploração comercial em vez de priorizar os interesses coletivos do esporte.

“A Copa do Mundo pode ser o auge do nosso esporte, mas são as bases do futebol que o mantêm vivo semana após semana”, afirmaram as ligas, ao destacar a importância de clubes, torcedores, atletas e campeonatos nacionais.

Disputa por influência e receitas

A manifestação ocorre em meio a críticas de clubes e campeonatos nacionais à expansão das competições internacionais promovidas pela Fifa. As ligas afirmam que esse movimento aumenta a carga de jogos dos atletas e enfraquece os torneios locais.

O especialista em geopolítica do esporte Jean-Baptiste Guégan avaliou que a escolha do momento teve objetivo político. A manifestação ocorreu durante a Liga das Nações, quando jogadores dos clubes estão a serviço das seleções nacionais. Para ele, as ligas buscaram reforçar o papel do futebol de clubes na geração de receitas e pressionar a estrutura do futebol de seleções.

A ausência da Ligue 1 francesa entre os signatários também foi destacada por Guégan. Na avaliação dele, o fato mostra a perda de influência política do futebol francês diante dos campeonatos da Inglaterra, Espanha, Alemanha e Itália.

A discussão acontece enquanto Infantino pretende buscar um novo mandato no próximo ano. O debate, porém, passou a envolver não apenas a permanência do dirigente, mas também a distribuição de poder no futebol mundial.

Propostas de mudança

Entre as reivindicações está a criação de um órgão permanente com representantes de federações, campeonatos nacionais, clubes e jogadores. As ligas também defendem que decisões relevantes tenham a participação efetiva dos grupos envolvidos.

Outro alvo é o acúmulo de funções da Fifa, que atua como reguladora do futebol mundial e promotora de projetos comerciais próprios. Para as entidades, essa combinação é incompatível com uma governança equilibrada. Elas também pedem limites mais claros ao poder da presidência e proteção contra interferências políticas em decisões disciplinares.

Nesta semana, Infantino enviou uma carta aos integrantes do Conselho da Fifa e aos presidentes das 211 federações nacionais. Ele propôs uma auditoria externa independente sobre a governança da entidade e sugeriu discutir mudanças nos processos decisórios.

As quatro ligas consideraram a resposta insuficiente. Para elas, mudanças em procedimentos não resolvem o problema, que exigiria uma reforma estrutural. Guégan classificou a iniciativa como um desafio direto à liderança de Infantino e afirmou que o dirigente tenta conduzir, pela própria direção da Fifa, uma reforma para preservar seu poder.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5