Em encontro no Eliseu, Emmanuel Macron e o papa Leão XIV defenderam o diálogo, a paz e a responsabilidade diante dos efeitos da inteligência artificial. A reunião também evidenciou diferenças entre a França e a Igreja Católica sobre a presença da religião no espaço público e questões bioéticas.
Macron apresentou a laicidade como um princípio republicano que assegura a liberdade de consciência e a expressão individual. Para o presidente francês, esse modelo não representa um afastamento da religião, mas estabelece as bases para o diálogo entre o Estado e as confissões religiosas.
O presidente também associou a atuação internacional da França à defesa do multilateralismo, do direito internacional e da paz. Ao abordar os conflitos que preocupam o governo francês e o Vaticano, afirmou: “Uma vida vale uma vida e todos os povos devem ser defendidos”.
A inteligência artificial esteve entre os principais temas tratados pelos dois interlocutores, assim como o clima. Leão XIV colocou a dignidade humana no centro de seu discurso e advertiu que a tecnologia pode ser usada “para fins de vigilância, manipulação e discriminação”. O papa defendeu que o avanço tecnológico permaneça subordinado à responsabilidade humana.
Divergências sobre laicidade e bioética
Leão XIV afirmou que a laicidade pode conviver com a presença de convicções religiosas no espaço público. Também criticou a ideia de que armas nucleares garantam segurança e pediu o abandono da corrida armamentista em favor do diálogo e da justiça.
O papa se opôs à legalização da morte assistida na França, que chamou de oferta de uma morte programada, e reafirmou a defesa da proteção de toda vida humana. Também rejeitou a gestação de substituição. Esses pontos fazem parte das divergências entre a Igreja Católica e as mudanças adotadas na França.
Após o encontro, Leão XIV foi à UNESCO para tratar de inteligência artificial, educação e transformações tecnológicas. A programação inclui celebrações em Notre-Dame de Paris e uma vigília de oração com jovens no Stade de France.
A viagem também prevê uma visita à Casa Bakhita, uma missa na praça da Concórdia e a ida a Lourdes. No domingo, o papa celebrará uma missa e se reunirá com bispos, pessoas acolhidas no santuário e religiosas. Na segunda-feira, seguirá para Metz, onde participará de um encontro inter-religioso e de uma sessão sobre as raízes da Europa para a paz e a unidade.







