Emmanuel Macron afirmou nesta sexta-feira (18) que a ameaça híbrida atribuída à Rússia contra a Europa e a França se intensificou nas últimas semanas. O presidente francês disse que Moscou ampliou os ataques contra interesses europeus e que o perfil das ameaças está mudando.
Após uma reunião com líderes partidários e candidatos à eleição presidencial de 2027, Macron pediu ao governo a elaboração de um plano para proteger infraestruturas críticas. A medida deverá incluir defesas contra ataques de drones e ciberataques, além de instalações sensíveis da base industrial e tecnológica de defesa.
Entre os episódios citados pelo presidente estão um ataque de drones contra um trem de passageiros na Ucrânia, uma tentativa frustrada de atentado no aeroporto alemão de Leipzig, o lançamento de foguetes sinalizadores perto de uma fragata dinamarquesa e incursões no espaço aéreo de países europeus.
Macron afirmou que o objetivo do Kremlin é intimidar e enfraquecer o apoio europeu à Ucrânia. “Ninguém está a salvo”, declarou. Ele também disse que a intensificação das ameaças não interromperá o apoio a Kiev.
No início da semana, um avião da Força Aérea Italiana integrado à missão de policiamento aéreo da Otan abateu sobre a Lituânia um drone que, segundo o ministro da Defesa da Itália, provavelmente vinha da Rússia. Na segunda-feira, uma fragata russa disparou dois foguetes sinalizadores em direção a um helicóptero militar dinamarquês em águas internacionais próximas à Dinamarca, informou o Exército do país.
Combustíveis e apoio à Ucrânia
Na reunião, Macron também tratou da alta dos combustíveis provocada pelo conflito no Oriente Médio. Ele afirmou que o aumento do custo da energia é causado pelas guerras e pela situação internacional e pediu ao governo que avalie, e se necessário adapte, os auxílios para compensar parte da disparada dos preços.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu realizará reuniões na segunda-feira (21), que poderão resultar em novas medidas. Macron disse, porém, que a deterioração das finanças públicas restringe a capacidade de ação do governo. Ele defendeu garantir o abastecimento energético, buscar novas rotas para o petróleo do Oriente Médio e convocar uma reunião do G7 sobre energia.
A reunião ocorreu a portas fechadas na sala de crise Vega da Presidência e durou 2h45. Após o encontro, opositores consideraram insuficientes as respostas sobre os combustíveis. Raphaël Glucksmann pediu auxílios mais amplos, enquanto Jordan Bardella afirmou que o governo deixou de lado o poder de compra. Marine Le Pen alertou para o risco de paralisação da economia sem redução dos impostos sobre combustíveis.
Também participaram Édouard Philippe, Marine Tondelier, Gabriel Attal, Bruno Retailleau e Olivier Faure. Manuel Bompard representou a França Insubmissa no lugar de Jean-Luc Mélenchon. Édouard Philippe defendeu a continuidade dos sinais enviados à Rússia, sem que a França entre em estado de beligerância com Moscou.







