Em entrevista televisionada na noite desta quinta-feira (24), Emmanuel Macron afirmou que a França pode ser alvo de ações hostis russas. O presidente francês citou a possibilidade de drones armados serem enviados contra aeroportos e disse que o país já sofreu ataques cibernéticos.
Macron declarou que a tensão aumenta à medida que os países europeus apoiam a Ucrânia, enquanto Kiev realiza ataques contra alvos estratégicos na Rússia. Ele não confirmou uma ameaça específica ao sul da França, mas afirmou que a guerra é um problema europeu. “A Rússia realiza atos hostis que podem matar”, disse.
O presidente confirmou que o ministro do Interior determinou o reforço da vigilância em instalações militares, estruturas de transporte, aeroportos e hospitais. Também considerou plausível uma nova mobilização de 300 mil soldados pelo Kremlin e afirmou que o governo trabalha para desmantelar redes de desinformação.
Macron disse que a Rússia pretende manter os esforços para ampliar seu controle territorial na Ucrânia. Segundo ele, esse avanço pode levar tempo e provocar novas perdas. A França, afirmou, continuará ajudando os ucranianos a resistir.
Combustíveis e diplomacia
A entrevista, que durou 40 minutos, também abordou o aumento dos preços dos combustíveis e o descontentamento social na França. Macron relacionou a alta da gasolina ao bloqueio parcial do Estreito de Ormuz pelo Irã e afirmou que 80% dos estoques franceses estão abastecidos.
“Estamos fazendo tudo para evitar a escassez de combustíveis”, declarou. O presidente disse ainda que 20% do gás e do diesel consumidos na França vêm do Golfo Pérsico e defendeu a redução das tensões na região por meio da diplomacia.
Macron avaliou que uma eventual proibição das exportações de diesel americano seria prejudicial para o restante do mundo e para a economia americana. Donald Trump já manifestou apoio à medida, segundo o presidente francês.
Orçamento e dívida
Macron justificou o aumento da dívida pública pelas despesas com Defesa, pelas medidas para ampliar a atratividade econômica da França e pelas respostas a crises recentes, como a pandemia de Covid-19.
Sobre a possibilidade de retorno dos coletes amarelos, afirmou que manifestações de revolta são normais em períodos difíceis, mas disse que um novo movimento não ajudaria coletivamente. O presidente também lamentou que a Reforma da Previdência não tenha sido implementada como considerava necessário.
Ao fim da entrevista, Macron defendeu o projeto de orçamento para 2027 apresentado pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu. Para ele, a proposta é necessária para controlar as finanças públicas, reduzir o déficit e preservar a capacidade de investimento do Estado.







