Mensagens de teor antissemita atribuídas a Jordan Bardella, presidente do Reunião Nacional (RN) e eurodeputado, provocaram uma crise na extrema direita francesa a poucos meses da eleição presidencial de 2027. Bardella nega a autoria, classifica as imagens como montagens e afirma que elas não resistiriam a uma análise judicial.
As mensagens teriam sido enviadas em 2013 e 2015, quando Bardella era militante do então Frente Nacional, partido que adotou o nome Reunião Nacional em 2018. Ele tinha 31 anos quando as novas imagens foram divulgadas. O material inclui afirmações sobre judeus, Israel e uma suposta ordem mundial dominada pelo país.
Fabrice Arfi, integrante da equipe responsável pela investigação, disse que há “100% de certeza sobre o que publicamos”. Bardella afirmou que apresentará queixa por falsificação e uso de documento falsificado. Ele já havia registrado uma ação por difamação.
Como as mensagens foram verificadas
A apuração ouviu 18 pessoas e recebeu as conversas de duas fontes diferentes que faziam parte do círculo de Bardella. Segundo Arfi, os responsáveis pela investigação tiveram acesso primeiro a capturas de tela e depois consultaram a íntegra das conversas para verificar o conteúdo.
Uma das fontes solicitou à Meta uma cópia das conversas mantidas no Facebook. A extração permitiu conferir a data original das publicações e verificar se os registros haviam sido alterados. O procedimento foi validado por um oficial de justiça em 29 de setembro.
Também foi analisado se o perfil associado às mensagens pertencia a Bardella ou se era uma conta falsa. Entre os elementos considerados estão informações sobre a origem italiana da mãe e francesa do pai, além de uma referência a uma entrevista concedida em 2013 sobre sua reprovação no processo seletivo da Sciences Po de Paris. O episódio só teria sido relatado por Bardella em uma autobiografia publicada em 2024.
A investigação também identificou dois endereços de e-mail associados ao perfil e usados por Bardella entre 2012 e 2014. Um deles aparecia em uma lista de filiados da Frente Nacional da Juventude. O outro estava relacionado às atividades políticas do militante em Seine-Saint-Denis, na região parisiense.
Reação política
O presidente de Os Republicanos defendeu que a Justiça se manifeste antes de uma tomada de posição. Para ele, as declarações atribuídas a Bardella seriam graves caso fossem verdadeiras.
O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, questionou se a França quereria um primeiro-ministro acusado de antissemitismo e de mentir diante de provas que o comprometem. Bardella é apontado como futuro primeiro-ministro caso Marine Le Pen vença a eleição presidencial de 2027.
O líder do Partido Socialista francês, Olivier Faure, afirmou que o caso envolve dois problemas: antissemitismo e mentira na política. Marine Le Pen, por sua vez, chamou as revelações de uma possível armação e defendeu o aliado.
Bardella foi procurado antes da publicação da primeira investigação, mas não teria comunicado o conteúdo à direção de campanha do partido. Le Pen também teria sido surpreendida. De acordo com as informações divulgadas, Bardella garantiu à equipe e à líder do RN que nunca havia feito declarações antissemitas, em público ou em privado.







