Kyriakos Mitsotakis afirmou na Assembleia Geral das Nações Unidas que o diálogo entre Grécia e Turquia não pode avançar enquanto houver ameaças de guerra. O primeiro-ministro grego também defendeu o reforço do multilateralismo, o respeito ao direito internacional e regras mais rigorosas para a inteligência artificial.
A Grécia está nos últimos meses de um mandato de dois anos no Conselho de Segurança e se prepara para assumir a presidência do órgão em outubro. Mitsotakis alertou que os conflitos estão se multiplicando e que as tensões estão se aprofundando.
Grécia, Turquia e Chipre
Ao tratar das relações com a Turquia, o primeiro-ministro disse que os dois países fizeram esforços nos últimos três anos para reconstruir a confiança e manter abertos os canais de comunicação. Ele afirmou que a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar é o quadro institucional para resolver a disputa sobre a delimitação da plataforma continental e das Zonas Econômicas Exclusivas.
“Não podemos, afinal, como tenho repetido, mudar a geografia”, declarou Mitsotakis. Ele também classificou a questão cipriota como um teste para a credibilidade das Nações Unidas, 52 anos após a invasão turca e a ocupação de parte da ilha.
O primeiro-ministro apoiou os esforços de António Guterres para retomar negociações sobre a reunificação de Chipre sem forças de ocupação. Em reunião com o secretário-geral da ONU na quinta-feira, dia 24 de setembro, em Nova Iorque, foram discutidas ainda a situação na Ucrânia, a evolução regional e o conflito no Oriente Médio.
Conflitos e prioridades internacionais
Mitsotakis disse que a proteção da marinha mercante será uma prioridade da presidência grega no Conselho de Segurança. Também apresentou o projeto GREGY, para transportar eletricidade do Egito à Europa, e o Great Sea Interconnector, que ligará Chipre e Israel às redes europeias.
Sobre Gaza, defendeu a aplicação do plano de paz acordado no ano anterior, o desarmamento do Hamas e a solução de dois Estados. “O Hamas não pode ter qualquer papel — repito: nenhum papel — no futuro de Gaza”, afirmou. Ele também mencionou a necessidade de reforçar o Líbano, proteger comunidades religiosas e étnicas na Síria e buscar um acordo entre Grécia e Líbia sobre zonas marítimas.
Para a Ucrânia, pediu cessar-fogo imediato e paz com base na Carta das Nações Unidas, além da participação decisiva do país nas negociações. Sobre o Sudão, defendeu o fim das ingerências externas e a responsabilização por crimes de guerra.
Economia e inteligência artificial
O primeiro-ministro apresentou resultados econômicos de seu governo, citando crescimento acima da média europeia, redução da dívida pública e atração de investimentos. Para a presidência grega do Conselho da União Europeia no segundo semestre de 2027, indicou como prioridades a competitividade, a defesa europeia e a proteção das fronteiras externas.
No encerramento, Mitsotakis pediu aos Estados Unidos da América que assumam a liderança na criação de regras estritas para a inteligência artificial. Ele defendeu licenciamento obrigatório para empresas, com exigências de transparência e segurança, e comparou a regulação da tecnologia à da tecnologia nuclear.







