São José dos Campos, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Mundo

Movimentos de moradia discutem greve europeia de aluguéis em Madrid

Cerca de 70 organizações de vários países se reúnem para coordenar ações diante da alta das rendas e dos despejos.

Movimentos de moradia discutem greve europeia de aluguéis em Madrid

Cerca de 70 organizações ligadas ao direito à moradia se reúnem esta semana em Madrid para coordenar uma resposta à crise dos aluguéis e discutir a possibilidade de uma greve europeia de rendas. Participam também grupos dos Estados Unidos e da América Latina.

O encontro é organizado no âmbito da European Action Coalition, rede de movimentos pelo direito à moradia. As entidades pretendem compartilhar estratégias diante do aumento dos aluguéis, da expulsão de moradores de seus bairros, dos despejos e da pressão exercida por imóveis turísticos e contratos temporários sobre a moradia residencial.

A reunião ocorre após o despejo de Maricarmen, uma mulher de 87 anos retirada da casa onde viveu por mais de 70 anos. O caso reacendeu o debate sobre a crise habitacional na Espanha.

Pablo Pérez, porta-voz do Sindicato de Inquilinas e Inquilinos de Madrid, disse que a proposta é compartilhar experiências e buscar uma rota comum. Entre as possibilidades está avaliar uma greve de rendas em escala europeia, sem que exista, por enquanto, uma convocação definida.

Insegurança para inquilinos

O sindicato afirma que a situação atinge idosos, famílias e jovens. Entre os fatores apontados estão a duração dos contratos e a possibilidade de não renovação ou de aumento do aluguel. Famílias podem ser obrigadas a deixar bairros onde vivem há anos, mesmo quando seus filhos estudam ali e suas relações pessoais e sociais estão estabelecidas na região.

Para os jovens, o sindicato destaca o crescimento do aluguel de quartos e dos contratos de curta duração. “De 11 em 11 meses podem expulsar-te ou aumentar a renda”, afirmou Pérez, ao descrever a dificuldade de criar estabilidade e desenvolver projetos de vida.

Investimentos e aluguéis temporários

O Sindicato de Inquilinas e Inquilinos de Madrid também critica a atuação de grandes investidores no mercado imobiliário. Pérez afirma que a influência dos fundos não se limita ao número de imóveis que controlam, mas inclui a expansão de uma lógica que trata a moradia como ativo financeiro e busca extrair dela a maior rentabilidade possível.

Na avaliação do porta-voz, essa dinâmica pode aparecer tanto em imóveis de fundos quanto em propriedades de pequenos donos, especialmente por causa da intermediação crescente das imobiliárias.

O sindicato também relaciona a transformação do mercado ao avanço dos apartamentos turísticos e dos contratos temporários. O impacto, segundo Pérez, deve ser analisado pela concentração em determinados bairros, e não apenas pela participação desses imóveis no conjunto habitacional da cidade. Ele cita o centro de Madrid e afirma que o fenômeno avança em direção a bairros periféricos.

Coordenação internacional

Movimentos europeus já haviam se reunido em Barcelona em 2024, quando aprovaram a Declaração de Barcelona. O encontro atual busca ampliar essa coordenação e verificar se organizações de diferentes mercados imobiliários conseguem construir uma estratégia comum.

Pérez afirma que o problema está presente em várias cidades europeias e defende a organização coletiva dos inquilinos. A reunião em Madrid deverá avaliar até que ponto ações articuladas localmente e em nível nacional podem ser levadas para uma escala europeia.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5