JOANESBURGO — Centenas de corredores participaram neste sábado (19) de uma homenagem a Elizabeth Moselakgomo, de 38 anos, em Kempton Park, nos arredores de Joanesburgo, na África do Sul. O corpo dela foi localizado em 12 de setembro. Desde meados de julho, nove mulheres foram encontradas mortas na mesma região.
Elizabeth criava sozinha a filha única, de oito anos, e era conhecida na comunidade. Ela saiu para correr em 9 de setembro e não voltou para casa. As outras oito vítimas foram encontradas desde 15 de julho.
Os corpos apresentavam condições semelhantes: estavam seminuos e tinham sinais de violência. Algumas mulheres também sofreram queimaduras. A polícia ainda não informou se investiga a ação de um serial killer ou de vários suspeitos. A apuração indicou que algumas vítimas não foram mortas nos locais onde seus corpos foram localizados.
A sequência de mortes provocou manifestações em Joanesburgo, na Cidade do Cabo e em Tembisa. Os atos tiveram as vítimas como foco e adotaram a palavra de ordem “chega!”. Em Kempton Park, clubes de corrida organizaram o percurso de 13 quilômetros realizado neste sábado. Os grupos já estavam mobilizados desde o desaparecimento de Elizabeth.
“Não deveríamos ter de olhar para trás o tempo todo. Deveríamos estar protegidas permanentemente. Queremos reconquistar nossas ruas”, disse Hlompho Matji, analista de dados e corredora de 47 anos que mora no mesmo bairro de Elizabeth. Ela afirmou que deixou de correr durante a semana anterior por medo.
A violência contra as mulheres é descrita como endêmica na África do Sul. Segundo as Nações Unidas, uma em cada três mulheres no país sofre violência física ou sexual ao longo da vida.
Homens também participaram da manifestação. Mkhuleko Tshabalala, consultor financeiro de 50 anos e morador de Kempton Park, disse que conhecia Elizabeth das corridas e que o ato passou pelo local onde ela morreu.
Na Cidade do Cabo, a mais de 1.400 km de Kempton Park, mais de mil estudantes participaram de uma vigília na noite de sexta-feira, no campus de uma universidade. Os participantes também cobraram providências do governo, da polícia e dos políticos responsáveis pela proteção da população.







