Seis países que são contribuintes líquidos do orçamento da União Europeia intensificaram a pressão para reduzir o próximo Quadro Financeiro Plurianual (QFP), que define as despesas do bloco no longo prazo. Os líderes argumentam que o valor precisa ser compatível com a capacidade de financiamento dos países que mais contribuem.
A posição foi apresentada em uma carta enviada ao primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, cuja administração ocupa a presidência rotativa do Conselho da União Europeia. O documento é datado de 28 de setembro. A Irlanda deve apresentar uma nova proposta de compromisso nos próximos dias, antes da reunião do Conselho Europeu marcada para 15 e 16 de outubro.
A carta foi assinada por Friedrich Merz, da Alemanha; Christian Stocker, da Áustria; Mette Frederiksen, da Dinamarca; Rob Jetten, dos Países Baixos; Petteri Orpo, da Finlândia; e Ulf Kristersson, da Suécia. Os seis líderes afirmam que as negociações entraram em uma etapa decisiva e que o tamanho total do orçamento precisa ser definido sem adiamentos.
“Esta questão não pode ser adiada”, afirmam no documento ao defender que o volume global seja financiável de forma realista pelos países que assumem a maior parte do encargo.
Valor e prioridades
Em junho, a presidência do Chipre propôs reduzir em 2% o QFP para 2028-2034 apresentado pela Comissão Europeia, estimado em quase 2 biliões de euros. Os seis países consideraram que o corte não seria suficiente para obter seu apoio.
A proposta da Comissão Europeia prevê um aumento nominal de cerca de 60%, segundo a carta. Os líderes rejeitam esse crescimento e defendem cortes de várias centenas de milhares de milhões de euros, sem indicar um valor exato. Também afirmam que todas as áreas do orçamento devem contribuir para as economias.
Além do tamanho do QFP, o grupo quer modificar a distribuição dos recursos. A ideia é reduzir o peso de políticas tradicionais, como coesão e agricultura, e direcionar mais verbas para segurança e defesa, competitividade, inovação e combate à migração irregular.
Os líderes também criticam o plano da Comissão Europeia de ampliar o número de funcionários das instituições da União Europeia enquanto a maioria das administrações públicas enfrenta cortes. A carta retoma uma posição apresentada em Berlim, em 27 de agosto, quando os seis países defenderam reduções de várias centenas de milhares de milhões de euros.
Segundo os signatários, os seis países respondem por quase 40% das contribuições dos Estados-membros ao orçamento da União Europeia.







