Análises sobre os resultados do Pisa de 2025 apontam o uso crescente de telas, mudanças na educação e a menor participação dos pais como possíveis fatores para a queda no desempenho dos estudantes. O relatório foi publicado pela Organização de Cooperação para o Desenvolvimento Econômico (OCDE) na terça-feira (8), e os resultados foram examinados pela imprensa francesa nesta quarta-feira (9).
A queda em leitura é associada à expansão das redes sociais e à substituição gradual da leitura por imagens e conteúdos rápidos. Também são citados sinais de enfraquecimento do hábito de ler, como a retração do mercado editorial, o fechamento de livrarias e a perda de leitores pelos jornais. A disseminação das ferramentas de inteligência artificial é apontada como um possível fator adicional de preocupação para a formação intelectual e a capacidade de compreensão dos jovens.
Reformas e desempenho do Reino Unido
O Reino Unido, que ficou no oitavo lugar mundial em ciências, é apresentado como exemplo de avanço associado a reformas educacionais implementadas ao longo das últimas duas décadas. Entre elas está a expansão das academies, escolas públicas financiadas pelo Estado, mas com ampla autonomia administrativa e pedagógica.
Brampton Manor e London Academy of Excellence são citadas como academies que conseguem aprovar alunos em universidades como Oxford e Cambridge. Entre os fatores relacionados ao desempenho estão o apoio acadêmico intensivo, o acompanhamento individual e estruturas voltadas para o acesso ao ensino superior. Também é mencionado o programa “pupil premium funding”, criado em 2011 para enviar recursos extras a escolas com alunos de origem social desfavorecida.
Menor envolvimento dos pais na França
Na França, dados da OCDE indicam redução no acompanhamento familiar da vida escolar. Apenas 49% dos adolescentes dizem que pelo menos um dos pais demonstra interesse regular pelo que aprendem na escola, contra 63% na edição anterior do Pisa.
Também diminuíram as conversas sobre dificuldades escolares, projetos educacionais e continuidade dos estudos, além do acompanhamento cotidiano das atividades escolares. Associações de pais e professores relacionam parte desse afastamento à presença de telas, redes sociais e ferramentas digitais nas famílias. A avaliação é que o tempo gasto nesses dispositivos reduziu as oportunidades de diálogo entre pais e filhos sobre a escola.







