O Brasil manteve resultados estáveis no Pisa 2025, mas permaneceu abaixo da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e na metade inferior do ranking internacional. A avaliação analisou competências de estudantes em ciências, leitura e matemática.
Publicado nesta terça-feira (8) pela OCDE, o estudo reuniu quase 760 mil alunos de 15 anos em 91 países e territórios. Realizado a cada três anos, o Pisa é usado para comparar o desempenho de sistemas educacionais.
A diferença socioeconômica aparece entre os principais resultados brasileiros. Em ciências, a distância entre estudantes de famílias ricas e pobres chega a 96 pontos, o equivalente a quase três anos de escolaridade. Apenas 1,8% dos jovens brasileiros atingiram alto desempenho escolar, ante uma média de 11,9% na OCDE.
Desempenho global
As regiões chinesas de Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang lideraram em ciências e matemática. Singapura ficou à frente em leitura, enquanto Macau, Taiwan, Japão e Coreia do Sul também apareceram entre os destaques.
Nenhum país latino-americano ficou entre os melhores colocados nas três áreas. Uruguai, Costa Rica e El Salvador, porém, melhoraram os resultados em ciências em relação à edição de 2022.
Na Europa, Estônia, Reino Unido, Finlândia e Irlanda tiveram desempenho acima da média da OCDE. Canadá e Nova Zelândia também se destacaram.
Queda em leitura e matemática
A OCDE informou que o desempenho médio dos países avaliados atingiu o pior nível já registrado. Segundo a organização, os resultados em ciências permaneceram estáveis, mas houve queda de mais de 20 pontos em leitura e matemática. Em matemática, o recuo chegou a 22 pontos, ante oito nos demais sistemas avaliados.
A organização classificou a deterioração em leitura como especialmente preocupante, porque essa habilidade é necessária para atividades como resolver problemas de álgebra, analisar fontes históricas e interpretar experiências científicas. Para a OCDE, uma variação de duas dezenas de pontos corresponde aproximadamente a um ano de escolarização.
Entre os fatores associados à tendência de queda, a OCDE citou o uso crescente de telas, a perda de interesse dos jovens pela leitura e mudanças na relação dos estudantes com a escola desde a pandemia de covid-19.
O relatório também avaliou o uso de ferramentas de inteligência artificial em sala de aula. De acordo com a OCDE, o uso mais intensivo costuma estar associado a resultados piores em ciências. Singapura e Macau estão entre os sistemas de melhor desempenho cujos alunos afirmam usar inteligência artificial com maior frequência.
Na França, o desempenho caiu ao nível mais baixo desde o lançamento do Pisa, em 2000. O país registrou 483 pontos em ciências, 456 em compreensão escrita e 458 em matemática. O ministro da Educação, Edouard Geffray, afirmou que os resultados são preocupantes, mas não surpreendentes.







