Cuba estima que o embargo dos Estados Unidos provocou perdas superiores a US$ 8 bilhões entre março de 2025 e fevereiro de 2026. O cálculo foi apresentado pelo ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, que classificou o montante como recorde e afirmou que ele representa aumento de 7% em relação ao período anterior.
O valor não inclui os danos atribuídos ao bloqueio energético aplicado nos últimos sete meses nem às sanções secundárias impostas desde maio contra entidades cubanas. Desde janeiro, o governo Trump ameaça punir países que fornecem combustível à ilha. Desde o início deste ano, apenas um petroleiro russo atracou em Cuba.
As medidas também atingem empresas estrangeiras que negociam com o país. Segundo Rodríguez, a aplicação do regime de sanções levou à saída de empresas, principalmente dos setores de turismo e mineração, considerados importantes fontes de renda para Cuba, que tem 9,4 milhões de habitantes.
Impactos na crise energética
O chanceler afirmou que as restrições ao combustível e a pressão sobre empresas de transporte marítimo dificultam a chegada de recursos e prejudicam serviços como abastecimento de água, transporte e saúde. Os apagões podem durar mais de 60 horas consecutivas.
Rodríguez disse que algumas cirurgias precisaram ser feitas com lâmpadas recarregáveis e lanternas de celulares usadas pela equipe médica. Ele também citou a mortalidade infantil, que subiu de 4 a cada mil nascidos vivos em 2018 para 9,9 em 2025, como indicação da deterioração das condições no país.
“Não haverá uma crise humanitária em Cuba”, afirmou o chanceler. Rodríguez também declarou que “o bloqueio não pune um governo; pune o cotidiano de um povo em todos os seus aspectos”. Apesar dos efeitos mencionados, ele descartou a existência de uma emergência humanitária e apelou à solidariedade entre os habitantes.







