HAVANA — Moradores de Havana rejeitaram as declarações de Donald Trump sobre Cuba, mas relataram exaustão com os cortes de energia e a falta de água, alimentos, medicamentos e outros itens essenciais. As manifestações ocorreram após o presidente dos Estados Unidos afirmar, na Assembleia Geral das Nações Unidas, que a ilha entraria em colapso e “cairá”.
Carlos Sotolongo, engenheiro civil que vive em Havana, disse que Trump não deveria interferir nos assuntos cubanos. Para ele, os cubanos têm características próprias em relação a outros países e não se deixariam intimidar pelas declarações.
A promotora cultural Ana Valdivia, de 69 anos, também criticou a fala do presidente americano, mas associou sua reação às dificuldades vividas no país. Ela afirmou que a população está cansada dos cortes de energia, da falta de água, comida e medicamentos. “É uma falta de respeito total, não há ética, não há princípios, não há educação”, disse.
Resposta do governo
O governo cubano respondeu às declarações por meio do ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez. Ele acusou Trump de divulgar “falsidades” e afirmou que Cuba tem direito a ser plenamente independente e soberana.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, também acusou Trump de recorrer à mentira para justificar a política dos Estados Unidos em relação à ilha.
Durante o discurso, Trump declarou que seu governo busca uma “mudança fundamental” em Cuba e afirmou que a liberdade chegará ao país. Segundo ele, a ilha está sob a maior pressão já enfrentada, seria um Estado falido e estaria entrando em colapso.
Enquanto o presidente americano falava, a delegação cubana deixou o plenário da ONU. As declarações ocorreram em um período de forte tensão entre Washington e Havana, depois que os Estados Unidos intensificaram a pressão sobre o governo cubano.
A situação econômica e social da ilha também foi mencionada pelo Observatório Cubano dos Direitos Humanos. De acordo com a organização, 94% dos cubanos vivem em condições classificadas como pobreza extrema.







