PARIS — Estudantes do ensino médio e universitários voltaram às ruas da França nesta quinta-feira (8), no quarto ato de uma mobilização iniciada há quase três semanas. O movimento reivindica melhores condições de ensino e conta com o apoio de sindicatos, partidos de esquerda, pais, professores, aposentados e outras categorias.
O Ministério da Educação informou que 375 estabelecimentos estavam parcial ou totalmente fechados pela manhã, enquanto 94% das escolas permaneciam abertas. De acordo com a pasta, houve redução de 30% no número de estabelecimentos afetados em comparação com o mesmo horário de quarta-feira.
Entre as reivindicações estão a redução da superlotação nas salas, a diminuição da sobrecarga horária, a contratação de professores e a reformulação ou extinção do Parcoursup, plataforma de acesso ao ensino superior. Empresas oferecem orientação particular para famílias que enfrentam dificuldades no sistema, com serviços que podem custar até € 1.000 (cerca de R$ 5.600).
Governo anuncia medidas e enfrenta críticas
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmou que as forças de segurança não receberam instruções para enfrentar estudantes do ensino médio. Ele disse compreender as angústias dos jovens e prometeu que o Executivo apresentará, até o fim do mês, medidas por meio de emendas ao projeto de orçamento.
A porta-voz do governo, Maud Bregeon, afirmou que as reivindicações não podem ser resolvidas imediatamente e defendeu um trabalho de longo prazo. Já o vice-presidente da organização Lycéens!, Louis Letoublon, cobrou respostas claras às demandas.
A organização estudantil pede um plano de € 10 bilhões (R$ 56 bilhões) para renovar a infraestrutura escolar e aumentar o número de professores. Também quer a revisão de uma proposta orçamentária que prevê a retirada de € 5 bilhões das coletividades territoriais.
Desde o início do movimento, lançado em 21 de setembro na região de Créteil, 6.629 pessoas foram detidas, segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez. O ministro informou ainda que 761 policiais e gendarmes e 215 estudantes ficaram feridos.
Bloqueios e suspensão de granadas
Nesta quinta-feira, estudantes impediram o acesso ao Instituto Católico de Paris e bloquearam a avenida Cours de Vincennes, no 12º distrito da capital. O ministro da Educação, Edouard Geffray, anunciou uma visita a um liceu em Reims para conversar com estudantes.
Após uma reunião com o ministro do Ensino Superior, Philippe Baptiste, a porta-voz do sindicato estudantil Sabrine Kharbach convocou manifestantes para a Praça da Bastilha, no 12º distrito, às 15h. A União Estudantil também convocou bloqueios em escolas e universidades e concentrações diante das prefeituras da região parisiense entre o meio-dia e as 14h.
O ministro do Interior anunciou a suspensão do uso de granadas de efeito sonoro após um manifestante de 15 anos perder a mão durante um protesto em Lens. O caso está sob investigação. Nuñez afirmou que 18 investigações da corregedoria da polícia foram abertas desde o início da mobilização.
A violência nos protestos também provocou críticas de partidos de esquerda. Clémence Guetté, da França Insubmissa, acusou o governo de distrair a população. Olivier Faure, do Partido Socialista, disse ter a impressão de que o governo aposta no desgaste do movimento.
Na terça-feira (6), entre 266 mil e 450 mil pessoas participaram de manifestações em todo o país. Na semana passada, um adolescente foi atingido no olho por um disparo de bala de borracha em Argenteuil e corre o risco de perder a visão.







