FRANÇA — Organizações estudantis do ensino médio convocaram uma nova jornada de protestos para terça-feira (6), além de uma manifestação nacional. A decisão foi tomada após uma reunião, na sexta-feira (2), com o ministro da Educação, Édouard Geffray, que recebeu representantes dos três principais sindicatos estudantis do país.
Os estudantes reclamam da sobrecarga de trabalho, da falta de infraestrutura nas escolas e dos problemas relacionados à saúde mental. Embora tenham considerado positiva a criação de uma plataforma de consulta para alunos do ensino médio, os representantes avaliaram que a iniciativa não responde às reivindicações.
“Não obtivemos compromissos concretos. Estamos um pouco decepcionados”, declarou Louis Letoublon, vice-presidente do sindicato Les Lycéens. Segundo ele, os estudantes pretendem manter a mobilização nas escolas e continuar as tratativas com o ministério.
Os bloqueios diante das escolas começaram em 17 de setembro. Na sexta-feira, 735 estabelecimentos foram afetados, de acordo com o Ministério da Educação. Em várias cidades, a tropa de choque entrou em confronto com manifestantes e usou gás lacrimogêneo. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram policiais agredindo adolescentes.
Em Paris, professores formaram uma barreira entre policiais e estudantes diante de um liceu no 9º distrito. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou que mais de 5 mil pessoas foram detidas desde segunda-feira.
Em Bordeaux, um liceu François-Mauriac foi danificado por um incêndio na quinta-feira (1º). Maëlle, aluna da escola, condenou os atos violentos e disse que eles prejudicam a reivindicação por melhores condições de ensino e mais recursos para a educação pública.
Apoio das universidades
Estudantes universitários declararam solidariedade ao movimento. Eloïse Lefebvre Milon, presidente da União Estudantil, pediu que universitários se juntassem aos alunos do ensino médio. Ela defendeu mais investimentos para a juventude e afirmou que os estudantes precisarão enfrentar crises climáticas e sociais.
O historiador Stéphane Sirot avaliou que a entrada das universidades pode ampliar a mobilização e levar sindicatos de trabalhadores a se posicionarem. Ele afirmou, porém, que a movimentação nas universidades ainda é menos intensa do que a registrada nas escolas de ensino médio.
O deputado ecologista Pouria Amirshahi pediu que pais e outros adultos apoiem os estudantes na mobilização de terça-feira usando um “capacete branco”. O parlamentar relacionou o gesto às manifestações de 1986 contra o projeto de lei Devaquet, quando pessoas usavam capacetes brancos para se colocar entre policiais e estudantes.
Jean-Luc Mélenchon, líder da França Insubmissa, também pediu que a população use, em 6 de outubro, “braçadeiras brancas” para proteger os jovens.
As organizações estudantis consideram insuficientes as medidas anunciadas pelo ministro da Educação. Os bloqueios também provocaram danos em escolas e liceus, com prejuízos calculados em vários milhões de euros pelas regiões de Île-de-France, Grand Est, Hauts-de-France e Auvergne-Rhône-Alpes.







