São José dos Campos, Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
Brasil

Estudantes franceses convocam novos protestos e pressionam governo por mudanças na educação

Aulas foram suspensas em até 500 escolas, enquanto sindicatos, agricultores e políticos anunciaram apoio aos atos desta terça-feira (6).

Estudantes franceses convocam novos protestos e pressionam governo por mudanças na educação

Estudantes do ensino médio e universitários da França convocaram uma nova jornada nacional de protestos nesta terça-feira (6), após mobilizações realizadas em 29 de setembro e 1º de outubro. Na véspera, aulas foram suspensas total ou parcialmente em até 500 dos 3.700 estabelecimentos de ensino do país.

A manifestação principal está prevista para ocorrer na Praça da República, em Paris, a partir das 14h no horário local, 9h em Brasília. A organização estima a participação de até 40 mil pessoas. Atos também foram anunciados em cerca de 30 cidades, entre elas Tours, Rennes, Brest, Nancy, Montpellier, Toulouse, Besançon, Perpignan e Lille.

Sindicatos ligados à Educação Nacional convocaram professores e trabalhadores do setor a se juntarem aos estudantes. Sophie Binet, secretária-geral da CGT, afirmou à TF1 que militantes estarão presentes para “proteger os estudantes do ensino médio”.

Políticos de esquerda, como o deputado ecologista Pouria Amirshahi e Jean-Luc Mélenchon, líder da França Insubmissa e candidato à Presidência, também pediram que famílias e adultos participem dos atos. A Confederação Camponesa convocou agricultores a se unirem às manifestações com tratores. A entidade defende a aproximação entre diferentes insatisfações sociais e critica a degradação dos serviços públicos nas áreas de educação, saúde e transportes, especialmente nas regiões rurais.

Reivindicações e adesão

O movimento cobra mais recursos humanos e financeiros para a educação nacional. Entre as demandas estão maior transparência na Parcoursup, plataforma de acesso ao ensino superior; substituição de professores ausentes; melhorias na infraestrutura escolar, considerada precária e envelhecida; e revisão de horários vistos pelos estudantes como excessivamente carregados.

Simon, aluno do Liceu Charlemagne, em Paris, afirmou que a mobilização não surgiu apenas pela possibilidade de manifestação em plataformas digitais: “essa revolta existe há anos”.

O ministro francês da Educação, Édouard Geffray, informou nesta segunda-feira (5) que 589 estabelecimentos de ensino foram afetados pelos protestos. Na sexta-feira (2), o número havia sido de “quase 800”. Entre as universidades, 32 campi estavam bloqueados total ou parcialmente. A lista incluía uma unidade da Sorbonne Nouvelle, em Paris, onde forças de segurança retiraram manifestantes do saguão.

Em Lens, no norte da França, um adolescente de 15 anos perdeu uma das mãos após a explosão de uma granada durante uma manifestação, segundo as autoridades locais. Geffray classificou o caso como “humanamente dramático” e disse que ainda não havia informações precisas sobre as circunstâncias. A Promotoria afirmou que não era possível determinar se o jovem havia recolhido a granada do chão ou se o artefato explodiu ao atingi-lo.

Feridos, detenções e resposta do governo

Desde o início da mobilização, em 29 de setembro, cerca de 190 estudantes ficaram feridos, de acordo com o Ministério da Educação da França. O governo também contabilizou 24 estabelecimentos incendiados ou vandalizados e 78 integrantes das equipes docente e administrativa feridos. Na maior parte dos casos, as ocorrências foram atribuídas a pessoas externas às escolas envolvidas nos protestos.

Sindicatos e associações acusam o governo de responder às manifestações de maneira desproporcional. Seis investigações foram abertas pela Inspetoria-Geral da Polícia Nacional para apurar a atuação das forças de segurança.

O Ministério da Justiça informou que, em menos de duas semanas, mais de 5 mil pessoas foram detidas para interrogatório policial. Desse total, 87% são menores de idade. Até o momento, 1.802 pessoas foram alvo de processos judiciais relacionados aos protestos.

A Liga dos Direitos Humanos criticou a resposta das autoridades. Sua presidente, Nathalie Tehio, afirmou que as orientações aos policiais não traziam instruções de contenção específicas para menores, conforme a Convenção Internacional dos Direitos da Criança.

Na noite de domingo (4), o primeiro-ministro Sébastien Lecornu enviou uma carta aos integrantes do governo para determinar a retomada das aulas “em todos os locais onde for possível”. O documento também prevê medidas para responder parcialmente às reivindicações. O governo anunciou cinco frentes de trabalho baseadas nas preocupações apresentadas pelos Conselhos Acadêmicos da Vida Estudantil e informou que as primeiras decisões concretas devem ser divulgadas antes do fim do mês.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5