A Rússia recomendou neste sábado (3) que diplomatas e outros estrangeiros deixem Kiev e afirmou que poderá manter os ataques de represália contra a capital ucraniana. O alerta foi divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores russo, que atribuiu aos que ignorarem a orientação a responsabilidade por eventuais consequências negativas.
O comunicado ocorre após semanas de bombardeios e de ondas quase diárias de drones contra a cidade. Entre os equipamentos usados estão drones a jato, considerados mais difíceis de interceptar. A Ucrânia enfrenta escassez de sistemas de defesa antiaérea.
Na manhã de sábado, a ponte Norte foi atingida, segundo o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko. A pista e os cabos da rede de ônibus elétricos foram danificados, e o trânsito foi interrompido em uma das direções. A ponte Sul também sofreu ataques de drones russos na quinta e na sexta-feira. A estrutura foi fechada, provocando congestionamentos na metrópole de três milhões de habitantes.
Klitschko descreveu a situação da capital como “extremamente dramática” e acusou Moscou de destruir infraestruturas e redes logísticas. Os ataques contra as pontes são os primeiros considerados significativos contra grandes estruturas desse tipo em Kiev desde o início da invasão russa, em 2022.
Ataques e preocupação com o inverno
Cerca de 50 países classificaram na ONU os avisos russos como ameaças contra diplomatas presentes em Kiev. Enquanto isso, Rússia e Ucrânia ampliaram os ataques de longo alcance. Entre os alvos atingidos estão instalações de energia, refinarias, depósitos de petróleo, centros logísticos, postos de combustível, centros comerciais, data centers e operadoras de telefonia.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, passou a defender uma trégua nos ataques de longo alcance depois de uma ofensiva lançada no verão. A proposta foi rejeitada na quinta-feira pelo presidente russo, Vladimir Putin, durante o fórum político de Valdai.
A chegada do inverno preocupa as autoridades ucranianas porque as infraestruturas energéticas costumam ser priorizadas nos ataques russos. Em 2025, centrais elétricas ucranianas foram atingidas, deixando milhões de pessoas sem aquecimento e energia durante temperaturas extremamente baixas. No fim de setembro, Zelensky disse na ONU que os próximos meses poderiam ser extremamente duros e que a Ucrânia buscaria impor custos semelhantes à Rússia.







