KIEV — O Reino Unido anunciou 100 milhões de libras esterlinas, cerca de R$ 694 milhões, para ampliar a defesa aérea da Ucrânia após novos ataques russos contra Kiev. O pacote prevê o fornecimento de mísseis interceptores Patriot, munições de grosso calibre e drones antes do inverno.
A ofensiva ocorreu na madrugada desta terça-feira (8), poucas horas depois da saída de Steve Witkoff e Jared Kushner, enviados do presidente americano Donald Trump que visitaram Moscou e Kiev em uma tentativa de retomar as negociações de paz. O balanço preliminar da polícia ucraniana registra ao menos duas mortes e oito feridos.
A Promotoria de Kiev informou que 14 edifícios residenciais, uma escola, uma clínica, 25 veículos, um supermercado e diversos armazéns logísticos foram danificados. Durante a noite, explosões foram registradas em diferentes áreas da capital, com colunas de fumaça e focos de incêndio. O alerta de mísseis durou várias horas, e moradores buscaram abrigo. A Polônia colocou sua força aérea em estado de prontidão.
O Ministério da Defesa da Rússia declarou ter atingido fábricas de componentes para drones e mísseis, depósitos de munição e instalações militares. Kiev raramente divulga informações sobre danos em estruturas estratégicas.
O ataque foi o primeiro contra a capital ucraniana em três noites, depois do fim de uma breve suspensão recíproca dos bombardeios contra as capitais dos dois países. Na segunda-feira (7), Witkoff disse que a viagem produziu “progressos substanciais” para novas negociações trilaterais.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que o país tem obtido “resultados muito bons” contra mísseis de cruzeiro, mas que os mísseis balísticos continuam difíceis de interceptar. Kiev voltou a pedir aos aliados mais sistemas e munições.
O financiamento britânico foi mobilizado por meio de um programa da Otan. O anúncio ocorrerá em meio à escassez de interceptores Patriot, descritos como os únicos sistemas capazes de neutralizar os mísseis balísticos russos usados com frequência crescente contra Kiev. A ajuda deve ser discutida na reunião do Grupo de Contato para a Defesa da Ucrânia, que reúne cerca de 50 países aliados e será copresidida pelo secretário britânico da Defesa, Wes Streeting, e pelo ministro alemão Boris Pistorius.
Apesar da intensificação dos ataques, Zelensky disse que Vladimir Putin demonstrou disposição para discutir medidas de “desescalada” durante o inverno. As possibilidades mencionadas envolvem energia, grãos, eletricidade, petróleo e gás. O presidente ucraniano também afirmou que Putin precisa de Trump e não quer desagradá-lo, em referência às eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para novembro.
O Kremlin informou que não descartava novas negociações trilaterais. Dmitry Peskov, porta-voz da presidência russa, afirmou que ainda era cedo para definir local e datas. As conversas anteriores enfrentaram impasses sobre o território, com Moscou reivindicando regiões do leste da Ucrânia e Kiev exigindo a recuperação dessas áreas.







