BRUXELAS — A União Europeia avalia impor restrições e controles mais rígidos aos diplomatas russos diante de uma série de ataques híbridos atribuídos diretamente ou indiretamente a Moscou. O debate pode resultar em uma nova etapa do regime de sanções do bloco, segundo diplomatas seniores familiarizados com as discussões.
A análise ocorre após incidentes que ampliaram a preocupação dos países europeus, como um suposto ataque incendiário contra uma empresa de defesa na Estônia e a descoberta de um drone prestes a detonar no aeroporto de Leipzig, na Alemanha. Os dois episódios foram relacionados à Rússia.
No mês passado, a Hungria expulsou 10 diplomatas russos por comportamento considerado “inaceitável” com base na Convenção de Viena de 1961. Moscou adotou uma medida equivalente. A UE também busca responder a divergências recentes após a retirada de dois oligarcas de destaque do regime de sanções.
O mecanismo atualmente em vigor foi criado no ano passado, no 19.º pacote de sanções. Ele exige que diplomatas russos informem, com antecedência de até 24 horas, a intenção de viajar para ou passar por outro Estado-membro além daquele em que estão credenciados.
A regra vale para agentes diplomáticos e consulares de todos os níveis, incluindo embaixadores, funcionários administrativos, técnicos e de serviço, além de familiares. O sistema permite acompanhar os deslocamentos, mas não impede as viagens.
Os Estados-membros podem adotar uma exigência adicional: o diplomata precisa pedir autorização de trânsito, que pode ser recusada. Nesse caso, a viagem não pode ocorrer. A aplicação desse procedimento é opcional e, até agora, apenas dois países o utilizam.
“Como o sistema só está em vigor desde janeiro de 2026, a experiência é limitada”, afirmou um porta-voz da Comissão Europeia.
A medida foi criada com base na avaliação de que diplomatas russos estão “frequentemente envolvidos” na disseminação de narrativas pró-guerra e na manipulação da opinião pública. Agora, a UE discute se eles podem ter participação direta ou indireta em ataques híbridos.
O projeto de conclusões da próxima cúpula de líderes do bloco afirma que “as ações da Rússia não ficarão sem resposta”. As novas medidas terão de respeitar a Convenção de Viena, que garante direitos e proteções aos agentes diplomáticos.
Além dos controles sobre diplomatas, a UE considera proibir vistos para antigos militares russos e endurecer as regras aplicadas a turistas russos.







