São José dos Campos, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
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Nove vítimas de origem portuguesa foram identificadas após os ataques de 11 de Setembro

Investigação de dois anos reuniu histórias de portugueses e luso-americanos mortos ou desaparecidos nos atentados contra o World Trade Center.

Nove vítimas de origem portuguesa foram identificadas após os ataques de 11 de Setembro

Uma investigação conduzida por Henrique Mano e Fernando Santos identificou nove portugueses e luso-americanos mortos nos atentados de 11 de Setembro. O trabalho começou após moradores de Tribeca e Soho, em Nova Iorque, procurarem informações sobre António Rocha, funcionário de uma empresa instalada nas Torres Gêmeas.

Mano estava em Nova Jérsia quando os aviões atingiram o World Trade Center. Na época, trabalhava na redação do jornal Luso-Americano, onde hoje é chefe de redação. Ele acompanhou a reconstrução da edição que seria publicada no dia seguinte e só conseguiu seguir para casa no dia posterior, porque os acessos a Nova Iorque estavam fechados.

“Ficámos completamente incrédulos”, relatou Mano, ao lembrar as primeiras horas, quando ainda não havia informações precisas sobre o número de aviões envolvidos nem sobre o alcance do ataque.

As vítimas e suas histórias

António Rocha tinha 34 anos, era casado e tinha dois filhos. Nascido nos Estados Unidos após chegar ao país ainda bebê com os pais, trabalhava na Cantor Fitzgerald. Na manhã dos atentados, estava no 105.º andar da Torre Sul. Seu corpo foi encontrado e o funeral ocorreu na Catedral em Newark.

João Aguiar Jr., conhecido como J.J., tinha 30 anos e trabalhava na Keefe, Bruyette & Woods. Filho de pai português e mãe norte-americana, passou parte da adolescência em Portugal e planejava morar com a namorada. Seus restos mortais nunca foram encontrados.

A irmã dele, Taciana Aguiar, disse que João avisou os colegas para deixarem o escritório depois que o primeiro avião atingiu o prédio ao lado. Ele acompanhou o grupo até o elevador, e a maioria dos trabalhadores sobreviveu. Quando o segundo avião atingiu a Torre Sul, porém, João ainda não havia conseguido sair.

“Eu acho importante saber que ele morreu como um herói”, afirmou Taciana.

Outras três vítimas trabalhavam em empresas financeiras no World Trade Center: Raymond James Rocha, de 29 anos; Dennis Gomes, de 40 anos; e Mark Jardim, de 39 anos.

Carlos da Costa, de 41 anos, e António Rodrigues, de 37 anos, trabalhavam na Autoridade Portuária, que tinha sede nas Torres Gêmeas. Rodrigues estava no terminal de ônibus da Rua 42 quando ocorreu o impacto, mas foi chamado para atuar no Ground Zero. Ele integrava o último grupo de policiais que entrou nas torres; os 14 integrantes morreram.

A trajetória de Rodrigues foi retratada no filme World Trade Center, dirigido por Oliver Stone. O papel foi interpretado pelo ator Armando Riesco. Segundo Mano, Rodrigues havia trocado a polícia de Nova York pela Autoridade Portuária porque acreditava que o novo trabalho seria mais seguro.

Manuel da Mota, marceneiro de 43 anos, instalava uma adega no Windows on the World, restaurante localizado em um dos últimos andares da Torre Norte. O avião da American Airlines atingiu a torre alguns andares abaixo do restaurante.

A única vítima identificada que estava em um dos aviões sequestrados foi Christopher Mello. Aos 25 anos, ele viajava no AA11, da American Airlines, a caminho de Los Angeles, em uma viagem de trabalho. Mello era bisneto de açorianos.

A busca por nomes e familiares

Mano e Santos passaram dois anos reunindo informações. Mano investigou as vítimas que moravam em Nova Iorque, enquanto Santos se concentrou nas de Nova Jérsia. Antes da publicação dos perfis, as identidades eram comunicadas ao Consulado de Portugal, e a origem portuguesa só era considerada confirmada após o contato com a família.

A investigação também registrou casos de pessoas que escaparam por acaso, além do trabalho de integrantes das equipes de resgate e remoção dos escombros. Para Mano, uma das lembranças mais marcantes dos primeiros dias foi o cheiro que se espalhou por Manhattan. A área reunia quase três mil mortos.

No fim de setembro de 2001, a família de João Aguiar Jr. realizou uma cerimônia de despedida junto à praia, em Nova Jérsia. Colegas presentes disseram a Taciana que deviam a vida ao irmão dela. Como o corpo não foi localizado, ela passou a associar João a um banco com uma placa instalada na escola St. Julian's, em Carcavelos, que ele frequentou na adolescência.

Uma possível décima vítima

Neste aniversário dos ataques, Mano voltou a investigar histórias ligadas à comunidade luso-americana. Ele tenta confirmar se uma mulher era de origem portuguesa. Se a identificação for confirmada, ela será a décima vítima portuguesa e a primeira mulher entre os nomes reunidos.

Taciana planeja visitar a escola com o filho e deixar flores no local dedicado ao irmão. A família segue sem os restos mortais de João, mas mantém a cerimônia e a memória dele como referência para a despedida.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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