São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Mundo

Como o 11 de Setembro mudou a política externa dos Estados Unidos

Atentados de 2001 deram lugar à Guerra ao Terror, a conflitos prolongados e à perda de credibilidade internacional de Washington.

Como o 11 de Setembro mudou a política externa dos Estados Unidos

Os atentados de 11 de setembro de 2001 mudaram a política externa dos Estados Unidos e marcaram uma ruptura nas relações internacionais. Em Nova York, dois aviões comerciais atingiram as Torres Gêmeas do World Trade Center; outra aeronave acertou o Pentágono, e uma quarta caiu em uma área rural da Pensilvânia, provavelmente após ser desviada de seu alvo, o Capitólio.

Executados por terroristas da Al-Qaeda, os ataques deixaram 2.977 mortos e 6.000 feridos em duas horas. A reação do governo de George W. Bush transformou o episódio no marco de uma política baseada na chamada Guerra ao Terror, na ampliação da ideia de guerra preventiva e na preferência por ações unilaterais.

Guerras no Afeganistão e no Iraque

Em outubro de 2001, os Estados Unidos iniciaram uma ofensiva contra os talibãs no Afeganistão, onde Osama bin Laden vivia na época. O conflito durou 20 anos e terminou com o fracasso dos Estados Unidos e de seus aliados ocidentais.

Em 2003, Washington atacou o Iraque sem autorização das Nações Unidas, sob a justificativa de que o país teria um arsenal de armas de destruição em massa. A existência desse arsenal não se confirmou. A invasão levou o Iraque a uma guerra civil e contribuiu para a instalação de um governo xiita em Bagdá.

A mudança alterou o equilíbrio político e territorial da região, fortalecendo a continuidade da influência xiita do Irã ao sul do Líbano, passando pelo Iraque e pela Síria. O Estado Islâmico também surgiu no Iraque, onde grupos terroristas eram praticamente inexistentes antes da guerra, e se tornou uma nova ameaça para os Estados Unidos e seus aliados.

Um estudo realizado em 2023 pela Universidade Brown, em Providence, nos Estados Unidos, calculou que mais de 930 mil pessoas morreram diretamente pela violência dos conflitos posteriores ao 11 de Setembro no Iraque, no Afeganistão, na Síria, no Iêmen e no Paquistão, entre 2001 e 2023. Desse total, 432 mil eram civis.

O mesmo levantamento estimou entre 3,6 e 3,8 milhões as mortes indiretas nas zonas de guerra. Com isso, o número total chegou a pelo menos 4,5 a 4,7 milhões de mortos.

Segurança, vigilância e crise de credibilidade

A resposta americana também ampliou os poderes do Estado. No final de outubro de 2001, o Congresso dos Estados Unidos aprovou o Patriot Act, que aumentou a margem de atuação das autoridades para combater o terrorismo. A lei ampliou a vigilância e os poderes de investigação, endureceu regras de imigração e modificou as condições de detenção de certos estrangeiros.

Medidas jurídicas e memorandos internos também facilitaram o uso de assassinatos seletivos e da tortura. A advogada Clémence Bectarte, da Federação Internacional dos Direitos Humanos, afirmou que confissões obtidas por tortura não têm validade jurídica segundo o direito internacional.

Khalid Sheikh Mohammed, apontado pela CIA como um dos principais mentores da operação, ainda não havia sido julgado de forma definitiva. O caso foi associado às dificuldades jurídicas criadas pela resposta americana ao terrorismo e às práticas adotadas pela CIA durante os interrogatórios.

Para Maud Quessard, diretora da área de Espaço Euro-Atlântico no Instituto de Pesquisa Estratégica Militar e especialista em política externa americana, as guerras prolongadas enfraqueceram os Estados Unidos em sua imagem externa e também pelos custos internos. “O 11 de Setembro escancarou o fato de que nem todos consideram os Estados Unidos o modelo a ser seguido”, afirmou.

A política externa americana passou por nova mudança com Barack Obama e, principalmente, Donald Trump. Entre 2017 e 2021, a doutrina de Trump rompeu com a orientação de George W. Bush e priorizou o lema America First, ou América em primeiro lugar.

O fim do século americano

Os atentados abalaram a confiança nas instituições, na mídia e na classe política dos Estados Unidos. Esse ambiente favoreceu a disseminação de teorias conspiratórias, o crescimento do populismo, a ascensão de Donald Trump e o retorno de tendências isolacionistas.

Enquanto Washington concentrava sua atenção no Oriente Médio, a China ampliou seu poder militar e se consolidou como principal rival estratégico dos Estados Unidos. Para muitos analistas, o 11 de Setembro marcou o fim do século americano.

Quessard, porém, situa essa mudança em outro momento. Para ela, os Estados Unidos continuaram sendo a principal potência econômica, comercial e militar entre 2001 e 2026, mas isso pode mudar na avaliação do período posterior à era Trump.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5