O SUS ampliou as opções intravenosas para pessoas com anemia por deficiência de ferro, mas o protocolo clínico disponibilizado pelo Ministério da Saúde como referência oficial continua sendo o de 2014. A atualização do documento avançou após consultas públicas e recebeu recomendação favorável da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) em fevereiro de 2025.
A revisão é necessária porque novas alternativas passaram a integrar o sistema. Em 2023, foram incorporadas a ferripolimaltose e a carboximaltose férrica. No ano seguinte, a derisomaltose férrica também foi incluída entre as opções disponíveis. Essas mudanças exigem a atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) de Anemia por Deficiência de Ferro, que define parâmetros para diagnóstico, tratamento e acompanhamento na rede pública.
Participação social e atualização
A primeira versão revisada do protocolo passou por consulta pública em 2023. Depois da incorporação da derisomaltose, outra proposta foi submetida à sociedade entre 19 de dezembro de 2024 e 7 de janeiro de 2025. Após a análise das contribuições, o texto recebeu recomendação favorável da Conitec em fevereiro de 2025. Ainda assim, a versão publicada na página oficial do Ministério da Saúde permanece datada de 2014.
A Colabore com o Futuro participou desse processo por meio da campanha Juntos Somos Mais Fortes, que mobilizou pacientes e organizações para contribuir com as consultas públicas relacionadas à doença. O negócio social atua com mobilização, participação de pacientes, informação, conscientização e diálogo com tomadores de decisão na área da saúde.
“Houve mobilização, escuta da sociedade, avaliação das tecnologias e avanço na atualização das diretrizes”, afirma Carolina Cohen, fundadora da Colabore com o Futuro. Para ela, o acompanhamento deve verificar como as decisões serão traduzidas no atendimento oferecido aos pacientes.
Necessidade de alternativas
A reposição de ferro por via oral está entre as principais estratégias contra a anemia por deficiência de ferro, mas não é adequada ou eficaz para todos os pacientes. Intolerância, contraindicações e falha terapêutica podem levar à necessidade de alternativas intravenosas.
A doença pode provocar cansaço, fraqueza, palidez, tontura e falta de ar, com impacto nas atividades cotidianas e na qualidade de vida. Dados da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS) de 2006 indicam prevalência de anemia de 20,9% entre crianças menores de cinco anos e de 29,4% entre mulheres em idade fértil.
A Colabore com o Futuro afirma que a participação em consultas públicas deve ser acompanhada pela verificação dos desdobramentos das decisões. “Participar de uma consulta pública é importante, mas não é o ponto final”, diz Carolina.
A permanência do protocolo de 2014 como referência oficial evidencia a distância entre a incorporação de tratamentos, a atualização das diretrizes e a aplicação das políticas na rede pública. Em 2026, o documento do Ministério da Saúde ainda não reúne os avanços incorporados ao sistema nos últimos anos.








