O resultado de um tratamento onco-hematológico deve incluir mais do que a resposta da doença. Segurança, prevenção de complicações, qualidade da assistência, acolhimento, recuperação e possibilidade de retomar a vida e a identidade também integram o cuidado, de acordo com especialistas do IBCC Oncologia.
A proposta é reunir esses aspectos no conceito de sucesso do paciente. Diferentemente da experiência do paciente, que descreve como a pessoa vivencia o atendimento, o sucesso avalia os efeitos que o cuidado produz em sua trajetória.
“Quando falamos em sucesso do paciente, não falamos apenas dos resultados clínicos. Destacamos principalmente a humanização, a qualidade de vida e o acolhimento”, afirma Roberto Luiz da Silva, médico hematologista e responsável técnico do Transplante de Medula Óssea do IBCC Oncologia.
Tecnologia exige integração entre equipes
A adoção de novas terapias depende de preparação anterior ao tratamento. Isso envolve a criação de protocolos, a capacitação dos profissionais e a coordenação entre as áreas envolvidas na assistência.
A enfermeira Alessandra Barban, coordenadora assistencial do Departamento de Transplante de Medula Óssea, Terapia Celular e Multidisciplinar do IBCC Oncologia, afirma que a incorporação de tecnologia exige uma visão abrangente e não pode ser conduzida de maneira fragmentada.
O CAR-T Cell exemplifica esse cenário. A terapia modifica células do sistema imunológico do próprio paciente para que reconheçam e combatam células tumorais. Por exigir acompanhamento especializado em diferentes etapas, o procedimento depende da atuação coordenada das equipes.
Pacientes onco-hematológicos também podem desenvolver complicações relacionadas à imunossupressão e precisar de monitoramento específico. Nesses casos, o atendimento pode envolver uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) dedicada a esse perfil.
Segundo Felipe Botelho, médico diarista da UTI Hematológica do IBCC Oncologia, a unidade funciona como suporte para que o paciente se recupere e retome a vida com mais qualidade, e não como destino permanente do tratamento.
Aspectos emocionais fazem parte do cuidado
O impacto da internação prolongada, do afastamento da rotina, do medo e da insegurança alcança pacientes e familiares. Para Gilmar Rodrigues, psicólogo do IBCC Oncologia, o tratamento precisa considerar as crenças, os hábitos e os valores de cada pessoa, além do objetivo de cura.
A Psicologia participa desse processo por meio da escuta, do acolhimento e do acompanhamento das necessidades emocionais. A intenção é compreender o paciente para além da doença e levar suas particularidades para o planejamento assistencial.
Essa atuação se conecta ao modelo de jornada assistencial 360º. Nesse arranjo, o médico acompanha a evolução clínica; a enfermagem organiza cuidados e protocolos; a terapia intensiva oferece suporte diante de complicações; o gerenciamento do sangue procura preservar recursos do próprio organismo; e a Psicologia acompanha os aspectos emocionais e subjetivos do paciente e de seus familiares.
Alessandra Barban também destaca que novas terapias precisam vir acompanhadas do treinamento da equipe multiprofissional. Assim, a avaliação do tratamento passa a considerar não apenas seu funcionamento clínico, mas a maneira como a pessoa atravessa o processo e as condições em que consegue seguir a vida durante e depois dele.








