São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Política

AGU pede remoção de vídeos com médicos falsos gerados por inteligência artificial

Notificação ao YouTube exige retirada ou identificação clara de conteúdos com promessas de curas e tratamentos sem comprovação científica.

AGU pede remoção de vídeos com médicos falsos gerados por inteligência artificial

A Advocacia-Geral da União (AGU) notificou o YouTube para remover vídeos que usam inteligência artificial para simular médicos e outros profissionais de saúde. A medida também permite, conforme o caso, que a plataforma identifique os personagens como artificiais e contextualize o conteúdo para os usuários.

A solicitação foi baseada em uma análise do programa Saúde com Ciência, do Ministério da Saúde, que encontrou esse tipo de material em 97 perfis entre 1º de janeiro e 10 de julho de 2026. As informações foram encaminhadas à Polícia Federal e ao Conselho Federal de Medicina. A notificação foi preparada pela Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD).

Os vídeos apresentam avatares com aparência humana como se fossem médicos ou especialistas. Segundo o Ministério da Saúde, os personagens recebem qualificações profissionais inventadas e usam linguagem alarmista para dar credibilidade a informações falsas, incluindo promessas de cura e tratamentos sem comprovação científica. Parte dos perfis é voltada especialmente à população idosa e promove produtos, e-books ou serviços pagos.

A pasta aponta riscos como automedicação, uso de terapias sem eficácia comprovada, demora na procura por atendimento profissional e interrupção ou substituição de tratamentos. Na notificação enviada na última sexta-feira (4/9), a AGU deu ao YouTube prazo de 72 horas para retirar os conteúdos identificados ou adotar medidas de rotulagem e contextualização.

A plataforma também deverá avaliar outros canais e vídeos citados no relatório do Ministério da Saúde com base em suas regras sobre desinformação em saúde e conteúdo sintético, além de adotar medidas preventivas contra a disseminação desse material. A ação integra uma força-tarefa interministerial com participação da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. O programa Saúde com Ciência monitora redes sociais, verifica informações e encaminha denúncias aos órgãos competentes.

A AGU também havia notificado o Telegram depois que o Ministério da Saúde identificou 18 grupos e canais que comercializavam comprovantes e passaportes vacinais falsificados. O aplicativo removeu os grupos e canais denunciados e excluiu a conta de um usuário identificado na apuração. As evidências foram enviadas à Polícia Federal.

O Ministério da Saúde afirmou que a venda de documentos falsos compromete a política nacional de imunização e os sistemas públicos de informação em saúde. A circulação de pessoas não vacinadas com registros fraudulentos pode criar uma percepção falsa sobre a cobertura vacinal e dificultar a identificação de populações mais vulneráveis.

As notificações citam o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a responsabilidade das plataformas por conteúdos ilícitos publicados por terceiros. Esses parâmetros foram incorporados pelo Decreto 12.975/2026 aos deveres específicos dos provedores de aplicações de internet. A AGU também afirmou que os grupos identificados violavam os termos de uso das plataformas.

O Ministério da Saúde orienta a população a buscar informações sobre prevenção, diagnóstico e tratamento em fontes oficiais e confiáveis e a denunciar conteúdos que possam colocar outras pessoas em risco.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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