Mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro, o cunhado Fabiano Zettel e o publicitário Thiago Miranda registram atrasos sucessivos na liberação de recursos para Dark Horse, filme de propaganda sobre Jair Bolsonaro (PL). Os diálogos também indicam dificuldades de cadastro e de câmbio para realizar os repasses.
Em 29 de janeiro, Zettel informou que a empresa criada para fazer as operações não tinha cadastro suficiente para enviar os recursos ao exterior. No dia seguinte, comunicou que o valor previsto era de 2M de dólares. A pressão continuou no dia seguinte, às 8h35, quando afirmou que precisava de uma definição sobre o filme. Mais de oito horas depois, Vorcaro perguntou se o pagamento havia sido feito.
A tensão voltou a aparecer em 3 de fevereiro, quando Zettel incluiu a regularização do filme entre as pendências. Vorcaro cobrou a execução do pagamento, enquanto o cunhado pediu a definição da empresa responsável pela operação e a liberação de uma TED. Em seguida, informou ter enviado uma carta de 34M para despesas relacionadas a SL e ao filme.
Mudança na rota do dinheiro
Em 5 de fevereiro, Vorcaro sugeriu uma operação por meio da Entre Investimentos e Participações, ligada a Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro. Zettel disse que pediria ajuda a Mineiro, e Vorcaro determinou o envio do dinheiro. As conversas tratavam de uma estrutura pela qual circulariam mais de 60 milhões de reais destinados, supostamente, a Dark Horse.
Em 6 de fevereiro, Miranda avisou Vorcaro que o financiamento estava parado e que havia cobranças. O banqueiro atribuiu o atraso a devoluções e a problemas para fazer o câmbio. Em 11 de fevereiro, Zettel afirmou que havia passado a operação para Mineiro e que também enfrentava dificuldades. A solução foi anunciada depois que Alberto Leite teria resolvido a questão.
Três dias mais tarde, Zettel compartilhou um comprovante de transferência de 2 milhões de dólares da Entre Investimentos para o Havengate Development Fund LP, fundo sediado no Texas, nos Estados Unidos, sob responsabilidade do advogado Paulo Calixto.
Cobranças continuaram
Em 12 de março, Miranda informou que apenas a primeira parcela de janeiro havia sido paga. Vorcaro pediu a Zettel que acompanhasse as parcelas seguintes, e ele respondeu que cobraria Mineiro. Em 18 de agosto de 2025, Miranda voltou a relatar que parcelas não tinham sido depositadas na semana anterior. No mês seguinte, Vorcaro afirmou que os atrasos tinham prioridade total para ele.
As mensagens registram que Vorcaro chegou a pagar mais de 60 milhões de reais por meio do Havengate. O acordo inicial previa cerca de 134 milhões de reais. O financiamento é investigado pela Polícia Federal, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros possíveis crimes atribuídos, em tese, a Flávio Bolsonaro.






