São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Política

Especialistas avaliarão propostas presidenciais em nove áreas de ciência e saúde

Projeto do IQC analisará planos de governo de doze candidatos, com avaliações de pesquisadores sobre nove eixos temáticos.

Especialistas avaliarão propostas presidenciais em nove áreas de ciência e saúde
Foto: Paralaxis/Getty Images

As propostas dos candidatos à Presidência para ciência, tecnologia e saúde serão examinadas por acadêmicos e especialistas a partir de trechos selecionados dos planos de governo. Os nomes dos candidatos serão ocultados durante a análise para reduzir a influência de opiniões pessoais dos pesquisadores.

O trabalho é realizado pelo Instituto Questão de Ciência (IQC), em parceria com a Veja Saúde e a Super. A iniciativa prevê a publicação das avaliações até 4 de outubro, data do pleito.

Nove áreas de análise

O IQC adaptou para o contexto brasileiro uma lista de 22 temas utilizada na edição de 2012 do projeto americano ScienceDebates, que comparou propostas de Barack Obama e Mitt Romney. Entre os ajustes está a substituição de debates sobre os seguros de saúde federais Medicare e Medicaid por questões relacionadas ao SUS.

A Veja Saúde ficou responsável por quatro eixos: saúde pública e SUS; saúde animal, zoonoses e One Health; envelhecimento, doenças crônicas e ciência da longevidade; e genômica, medicina de precisão e edição genética.

A Super selecionou cinco áreas: inovação e política industrial; pesquisa, universidades e pós-graduação; mudanças climáticas e Amazônia; recursos minerais estratégicos; e inteligência artificial e nova economia digital.

Com auxílio de uma IA, a equipe procurou nos documentos dos doze candidatos os trechos relacionados, total ou parcialmente, aos assuntos escolhidos. Depois, o material foi encaminhado a especialistas de cada área sem a identificação dos candidatos.

O que a lei exige

Desde 2009, candidatos à prefeitura, ao governo estadual e à Presidência precisam registrar propostas na Justiça Eleitoral. A legislação, porém, não estabelece o tamanho dos documentos nem os temas que devem ser incluídos. Nos planos dos presidenciáveis de 2026, a extensão varia entre 7 e 200 páginas, o que dificulta a comparação direta.

Estudos anteriores mostram diferenças no nível de detalhamento dos compromissos. Uma pesquisa de Simone Diniz e Lucy Oliveira, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), analisou os programas presidenciais brasileiros de 1994 a 2006. O plano de FHC em 1994 reunia 771 promessas, das quais 89% eram verificáveis. Lula apresentou 242 promessas em 2002, com 53% classificadas dessa forma; em 2006, essa proporção chegou a 85%.

Uma pesquisa do International Social Survey Programme (ISSP), divulgada em 2008 após ouvir eleitores de 33 países, registrou que em 31 deles predominava a discordância sobre o cumprimento das promessas eleitorais por parlamentares. Dinamarca e Suíça foram as exceções.

Um estudo publicado em 2017, com mais de 20 mil promessas de 12 países, concluiu que 60% dos compromissos feitos por partidos que chegaram ao governo foram cumpridos ao menos parcialmente. No Brasil, análises citadas no levantamento apontaram que Bolsonaro havia cumprido integralmente 21 de 58 compromissos após três anos e meio de mandato, enquanto Lula havia cumprido 26 de 36.

As avaliações do projeto serão publicadas até 4 de outubro, com atualização da lista de análises conforme os textos forem divulgados.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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