São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Política

Instituto ligado a produtora de filme sobre Bolsonaro teve tesoureiro que nega ter exercido função

Jacio de Medeiros Dantas aparece em atas do ICB por seis anos, mas afirma que apenas emprestou o nome para o cargo.

O Instituto Conhecer Brasil (ICB), comandado por Karina Ferreira da Gama, registrou em atas a atuação de Jacio de Medeiros Dantas como tesoureiro-geral entre 2014 a 2021. O eletricista, porém, afirma que nunca exerceu a função nem participou de reuniões ou assembleias da organização.

Dantas disse que emprestou o nome a pedido da mãe de Karina, Regina Ferreira da Gama de Nazaré, quando a empresária estruturava uma ONG para um projeto de dança. “Eu coloquei meu nome lá porque eu conhecia ela”, afirmou. Segundo ele, não tinha tempo para desempenhar atividades no instituto porque trabalhava como autônomo na área elétrica.

Divergências em atas

Além de aparecer como tesoureiro, Dantas consta em documentos como secretário de assembleias. Seu nome também está em listas de presença, embora ele diga que jamais participou desses encontros. As assinaturas atribuídas a ele variam entre atas do ICB e documentos públicos ligados a outros assuntos.

Em um documento de 29 de setembro de 2014, Dantas aparece como secretário da assembleia que elegeu Karina presidente e como tesoureiro-geral na lista de presença. Ele também figura como tesoureiro em uma alteração estatutária de 2015. Já as rubricas presentes em uma ata de 2 de outubro de 2017 e em sua renúncia, registrada em janeiro de 2020, são diferentes. Ao ver imagens de duas assinaturas, o eletricista afirmou não reconhecer nenhuma delas.

Também foram identificadas divergências nas assinaturas atribuídas a Rafael Tadeu da Silva Santanna, que teria exercido a secretaria-geral de 2014 a 2017, e a Karina Pereira Penha, apontada como sucessora no cargo. Santanna disse ter ficado surpreso com as diferenças e afirmou não se lembrar de ter assinado atas ou documentos. Penha confirmou que trabalhou no instituto, mas não respondeu às perguntas sobre as assinaturas.

O ICB e Karina Ferreira da Gama não responderam aos questionamentos. O espaço permanece aberto para manifestação.

Investigações e contratos

Em 2024, o instituto assinou contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo, durante a gestão de Ricardo Nunes, para instalar Wi-Fi público. A Polícia Civil de São Paulo investiga o acordo por suspeitas de irregularidades.

A Polícia Federal também apura possível desvio de recursos de emendas parlamentares destinados ao ICB. Entre os valores investigados estão R$ 2 milhões enviados pelo deputado federal Mario Frias, roteirista e produtor-executivo do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro.

A Controladoria-Geral da União concluiu que o instituto desviou recursos do Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria em sete estados e no Distrito Federal. De R$ 11 milhões recebidos pelo ICB, ao menos R$ 2,4 milhões teriam sido superfaturados, segundo a CGU.

Desde 2014, 12 pessoas passaram por funções como conselheiros fiscais, secretários e tesoureiros. Entre elas estava Regina Ferreira da Gama de Nazaré, que ocupou a vice-presidência entre setembro de 2014 e setembro de 2017. Os integrantes eram de diferentes locais do Brasil, com núcleos no Distrito Federal, em São Paulo e em Uberlândia, em Minas Gerais.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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