RIO DE JANEIRO — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva relacionou nesta sexta-feira 18 a família do ex-presidente Jair Bolsonaro à ascensão de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Em entrevista à Rádio Tupi, durante visita ao Rio, Lula também afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) tem ligação com milicianos.
Ao comentar a crise envolvendo o banco, o presidente disse que Vorcaro se tornou banqueiro durante o governo Bolsonaro e acabou preso em sua administração. Lula atribuiu à gestão anterior as condições que, segundo ele, permitiram a expansão dos negócios do empresário.
“Eles criaram um banqueiro e eu o tornei prisioneiro”, afirmou. O Banco Master recebeu autorização do Banco Central para operar no Brasil durante a gestão de Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro. A instituição foi liquidada em 2025, sob ordem de Gabriel Galípolo, presidente do BC indicado por Lula.
Lula disse ainda que o caso será um dos temas da reta final da campanha. Segundo o presidente, as investigações não divulgaram todo o conteúdo obtido no celular de Vorcaro. Ele acusou o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, de manter parte das informações retida.
O presidente afirmou que os ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes já receberam informações que estavam com Mendonça. Também disse que outros ministros e parte da imprensa tiveram acesso a uma parcela do material.
A aproximação entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro foi associada ao financiamento, pelo Banco Master, do filme Dark Horse, uma cinebiografia de Jair Bolsonaro. Flávio aparece ligado à produção.
Lula também declarou que Flávio Bolsonaro teria ligação com milicianos no Rio e que outros integrantes da família Bolsonaro estariam envolvidos com esses grupos. A fala ocorreu depois de o presidente elogiar o trabalho do desembargador Ricardo Couto à frente do governo fluminense e defender a atuação permanente das forças de segurança contra grupos criminosos.
Quando era deputado estadual, Flávio Bolsonaro homenageou Adriano da Nóbrega, apontado como líder do Escritório do Crime, com condecorações e moções de louvor na Alerj. Ele também empregou a mãe e a esposa do criminoso em seu gabinete. As duas foram envolvidas no esquema de rachadinha investigado no então gabinete do deputado.







