São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Política

Lula promete acabar com bets, enquanto Flávio defende apostas esportivas sob controle

Presidente endureceu a posição contra plataformas de apostas; senador critica cassinos online, mas admite apostas em esportes reais.

Lula endurece discurso sobre bets; Flávio critica regulamentação atual, mas defende aposta esportiva

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil não vai tolerar o modelo de negócios das bets e passou a defender o fim das plataformas de apostas e dos cassinos online, como o jogo do tigrinho. Segundo Lula, esse mercado transforma o vício em lucro e contribui para o endividamento de famílias.

A posição representa uma mudança em relação à estratégia adotada no início do governo. Em 2023, o Executivo enviou ao Congresso uma proposta para regulamentar as apostas de quota fixa, modalidade autorizada por lei aprovada em 2018, durante o governo Michel Temer. No fim de 2023, Lula sancionou a Lei 14.790, que estabeleceu licenças, tributação e medidas contra lavagem de dinheiro, manipulação de resultados e jogo problemático.

Em entrevista à Rádio Metrópole, em outubro de 2024, Lula disse que o governo havia escolhido regulamentar as apostas e que poderia encerrá-las se as regras não fossem suficientes. Em maio de 2026, no programa Sem Censura, da TV Brasil, afirmou que proibiria todas, mas declarou que a decisão não dependia apenas dele. Em agosto, durante a campanha, disse que acabaria com as bets se isso dependesse de sua vontade.

Em setembro, Lula comparou a expansão das apostas à do crack em entrevista a Cauê Moura e Load Comics, do podcast Desce a Letra Show. Na propaganda eleitoral, passou a classificar a jogatina online como vício e doença e afirmou: “A gente vai acabar com as bets”.

Dados sobre apostas e novas regras

O Banco Central estimou que cerca de 24 milhões de pessoas fizeram ao menos uma transferência por Pix para empresas de apostas e jogos online em 2024. Os valores mensais movimentados variaram de R$ 18 bilhões a R$ 21 bilhões. Em agosto de 2024, cinco milhões de pessoas de famílias beneficiárias do Bolsa Família transferiram R$ 3 bilhões por Pix para essas empresas, segundo o documento citado.

Dados da Secretaria de Prêmios e Apostas indicam que 43,8 milhões de brasileiros haviam apostado em plataformas autorizadas até agosto de 2026, o equivalente a 27% da população adulta. No primeiro semestre, as plataformas receberam R$ 88,5 bilhões em depósitos e pagaram R$ 68,3 bilhões em prêmios.

Em julho, uma portaria passou a exigir alertas sobre dependência, risco de perda financeira e o fato de que apostas não são investimento. A norma também proibiu anúncios com palpites ou análises capazes de induzir apostas, além de mensagens que prometam ganhos garantidos, incentivem o jogo excessivo ou pressionem o usuário a apostar imediatamente.

A medida reforçou ainda o impedimento à participação de beneficiários do Bolsa Família e do BPC nas plataformas legais. Até então, a estratégia do governo era restringir a publicidade e bloquear o acesso de grupos vulneráveis, sem extinguir o mercado.

Flávio separa cassinos de apostas esportivas

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro critica a lei sancionada por Lula em dezembro de 2023 e afirma ter votado contra a regulamentação. Em vídeo de campanha, disse que pessoas gastam dinheiro que não têm ao acreditar na possibilidade de ganhar e acabam endividadas.

Apesar da oposição aos jogos em geral, Flávio faz uma distinção em relação às apostas em partidas reais de futebol, vôlei ou tênis. Para ele, essa modalidade pode ser controlada. Em transmissão com Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes, declarou: “O cassino online tem que acabar”.

A modalidade de apostas de quota fixa, contudo, já havia sido autorizada por lei em 2018, durante o governo Michel Temer, antes da regulamentação sancionada por Lula.

Pesquisas mostram rejeição à modalidade

A rejeição às bets aparece em pesquisas realizadas antes da atual ofensiva eleitoral. Em novembro de 2024, levantamento do Datafolha apontou que 65% dos brasileiros defendiam a proibição das apostas esportivas online. A taxa era de 68% entre mulheres e de 61% entre homens.

Pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta semana indicou que 75% defendem a proibição, acima dos 73% registrados em abril. No mesmo levantamento, 36% atribuíram ao governo Lula a principal responsabilidade pela disseminação das bets. O governo Jair Bolsonaro foi citado por 25%, e o Congresso, por 16,5%.

Para o cientista político e professor do Insper Leandro Consentino, as duas campanhas tentam atrair eleitores que ainda não escolheram entre Lula e Flávio Bolsonaro. Ele afirmou que Lula busca recuperar sua imagem com anúncios de apelo popular, enquanto a campanha de Flávio procura associar o governo à permissividade com as apostas e apresentar a mudança de posição do presidente como eleitoral.

Consentino disse não identificar um grupo específico como alvo do discurso sobre as bets. Para ele, trata-se de uma mensagem difusa, com apelo popular, mas o momento do anúncio pode levar parte do eleitorado a considerá-la demagógica e eleitoreira.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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