Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno das eleições de 2026 à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro, em uma corrida que pode registrar a primeira virada presidencial desde a redemocratização.
O senador recebeu 47% dos votos válidos, contra 45% de Lula. A diferença foi de 2,2 milhões de votos, a menor entre os dois primeiros colocados desde a redemocratização. A abstenção chegou a 21,1%, a maior desde 1998.
Flávio somou 56 milhões de votos, 5 milhões a mais do que Jair Bolsonaro havia obtido no primeiro turno de 2022. Lula teve 53,9 milhões, abaixo dos 57,3 milhões registrados na primeira rodada daquele ano.
Distribuição regional
Flávio venceu no Distrito Federal e em 14 estados, incluindo todos os estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além de quatro estados do Norte. Lula ganhou em 12 unidades da federação — os nove estados do Nordeste e três do Norte —, mas registrou menos votos em todas elas do que em 2022.
O petista venceu no Amapá, mas perdeu as vitórias que havia obtido em 2022 no Tocantins e em Minas Gerais. No total regional, Flávio ficou à frente no Norte, com 5,1 milhões de votos contra 4,6 milhões de Lula; no Centro-Oeste, com 5,1 milhões contra 2,96 milhões; no Sudeste, com 24,9 milhões contra 19,2 milhões; e no Sul, com 10,5 milhões contra 5,5 milhões. Lula venceu no Nordeste, por 21,5 milhões a 10,4 milhões.
Estratégias para o segundo turno
Para Emerson Cervi, professor de Ciência Política da UFPR, a diferença pode ser revertida se o PT mudar as prioridades da campanha e apresentar propostas voltadas ao futuro, em vez de concentrar a estratégia na desconstrução de Flávio. “Se você mudar 1 milhão de eleitores de um lugar para o outro, você altera o resultado”, afirmou.
Cervi também apontou a abstenção como uma possível margem para Lula. Segundo ele, os votos de Flávio estiveram mais associados aos candidatos do PL para outros cargos no primeiro turno. Como no segundo turno haverá apenas a disputa presidencial, essa mobilização pode diminuir.
Magna Inácio, professora de Ciência Política da UFMG, afirmou que a diferença de 1,87% é a menor entre os dois primeiros colocados desde 1989. Para ela, Lula terá de ampliar o apoio nos estados e municípios, disputar eleitores ausentes ou indecisos e apresentar uma agenda econômica capaz de alcançar as classes médias e o setor produtivo.
Flávio, por estar na frente, deve adotar uma postura defensiva, segundo Cervi. O desafio será convencer os eleitores de que seu eventual governo é confiável e preservar os votos já conquistados. Magna avalia que o senador pode atrair eleitores de candidaturas de direita derrotadas, mas parte desse grupo já pode ter votado nele no primeiro turno.
A professora também disse que a maior exposição de Flávio poderá ampliar a cobrança sobre suas posições políticas, suas propostas de reformas e seu envolvimento em investigações. A votação de 25 de outubro definirá se a vantagem inicial será mantida ou se o Brasil terá uma virada inédita no segundo turno presidencial.








