O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (21) que Donald Trump disse a interlocutores que não pretende interferir nas eleições brasileiras. Em entrevista à CNN Internacional, Lula classificou a postura como positiva e declarou que o pleito é um assunto interno do Brasil, sem ingerência da Casa Branca.
A entrevista foi gravada pela manhã e exibida à tarde. Lula também afirmou que o Brasil identificou indícios de interferência por meio do uso de inteligência artificial, mas não detalhou os casos. “Não quero que os EUA tenham qualquer tipo de interferência”, declarou.
Disputa eleitoral
Ao comentar a eleição, Lula associou o senador e candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, ao negacionismo. O presidente disse que sua atuação política é voltada ao cuidado com os mais pobres e afirmou que a disputa envolve uma escolha entre democracia e barbárie.
Lula declarou ter certeza de que vencerá as eleições, embora tenha admitido preocupação com o pleito. Ele relacionou a expectativa de vitória a políticas de inclusão social, educação e saúde e disse que caberá ao povo escolher. Também elogiou o sistema eletrônico de votação adotado no Brasil, afirmando que não há contestação do resultado eleitoral.
Relações comerciais
Na mesma entrevista, Lula criticou a política comercial de Trump e afirmou que o presidente dos Estados Unidos age como um imperador ao adotar medidas unilaterais. O brasileiro defendeu o multilateralismo e disse que o comércio deve manter relações equilibradas entre os países.
Lula afirmou que o Brasil procura novos parceiros comerciais, mas pretende continuar negociando com os Estados Unidos. Ao tratar da possibilidade de aplicação da Lei de Reciprocidade, disse ser cauteloso e afirmou que não pretende adotar a medida enquanto houver negociações. Também declarou que o Brasil não quer confrontar ou desafiar Trump, mas que o governo norte-americano não pode governar outros países.
Tarifas e agenda nos Estados Unidos
Lula chegou a Nova York, nos Estados Unidos, no domingo (20). O presidente fará o discurso do Brasil na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas nesta terça-feira (22). Não há confirmação de encontro bilateral com Trump.
Os Estados Unidos mantêm uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A medida foi aplicada em 22 de julho, sob a justificativa de punição por práticas comerciais consideradas desleais, após uma investigação que envolveu temas como Pix, etanol e desmatamento na Amazônia.
Em 24 de julho, Trump estabeleceu uma sobretaxa de 12,5% como resposta a uma investigação do Escritório do Representante do Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre a importação de produtos fabricados com trabalho forçado.
O governo brasileiro informou à Organização Mundial do Comércio (OMC) que as medidas dos Estados Unidos são incompatíveis com as regras do comércio internacional e questionou a consistência das investigações que fundamentam as tarifas.







