Mensagens trocadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro indicam uma referência a pagamento mensal de R$ 500 mil ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). As conversas foram encontradas no celular de Vorcaro e envolvem Luiz Rennó, então diretor jurídico do Banco Master.
Em 4 de julho de 2025, Rennó enviou a Vorcaro o contato de Kevin Marques e perguntou se o valor de 500 mil por mês seria mantido. Vorcaro respondeu com uma mensagem de confirmação em tom de riso. Em 8 do mês seguinte, Rennó afirmou que, entre os pagamentos considerados essenciais, faltava a consultoria. Depois, encaminhou novamente o contato de Kevin e disse que aquele era o único pagamento dele que faltava.
A assessoria de Kevin Marques negou que ele tenha prestado serviço ao Banco Master ou recebido dinheiro de Vorcaro. Informou que os R$ 281,6 mil pagos pela empresa Consult Inteligência, entre agosto de 2024 e julho de 2025, eram referentes a serviços jurídicos especializados na área tributária administrativa. A empresa havia recebido R$ 6,6 milhões do Banco Master e R$ 11,3 milhões da JBS, controlada por Joesley e Wesley Batista.
Outras mensagens
A Polícia Federal também encontrou conversas entre Vorcaro e a advogada Camilla Ewerton Ramos sobre serviços de voos privados, em novembro de 2025. Naquele mês, Kassio Nunes Marques viajou de Brasília para Maceió com a mulher em um avião particular pertencente à Prime You, empresa que administra bens de Vorcaro. A viagem ocorreu para uma festa de aniversário, a convite de Camilla Ramos, que atua judicialmente para o Banco Master e afirmou ser responsável pelos custos.
Em abril do ano passado, segundo as informações citadas, a advogada também deu carona em um voo privado para Trancoso, na Bahia, a dois filhos do ministro.
Mensagens enviadas por uma mulher identificada como Rayanna relatam ainda uma cobrança relacionada a uma amiga que, segundo ela, teria ficado com Kassio. Em 28 de fevereiro de 2025, ela pediu um endereço a Vorcaro. Em 7 de março, cobrou o pagamento e, após solicitação do banqueiro, enviou uma chave Pix com a indicação de “10”.
A assessoria de Nunes Marques declarou que ele “não tem conhecimento sobre o contexto” das mensagens. Durante uma sessão do STF, o ministro voltou a negar ligações com Vorcaro e com o Banco Master.







