As propostas apresentadas por Guilherme Derrite (PP) durante a relatoria do Projeto de Lei Antifacção receberam críticas da Polícia Federal, do Ministério da Justiça, da Receita Federal e de especialistas em segurança pública. As alterações discutidas envolviam a autonomia da PF, o financiamento de suas operações e o bloqueio de patrimônio de organizações criminosas.
Em uma das versões do relatório, Derrite condicionou a atuação da Polícia Federal nos Estados a uma solicitação dos governadores. A medida foi questionada pelo professor de Direito da PUC-RS e integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Rodrigo Azevedo, para quem a mudança poderia dificultar a cooperação entre União, Estados e municípios.
A própria PF afirmou que a proposta poderia enfraquecer seu papel institucional no combate ao crime. O procurador da República Vladimir Aras também alertou para possíveis conflitos de competência caso crime organizado e terrorismo fossem tratados de forma conjunta.
O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, que atua no combate ao PCC e participou da elaboração do projeto, disse que o substitutivo poderia comprometer a experiência dos Gaecos. Após a reação negativa, Derrite desistiu de submeter a PF à autorização dos governadores.
Outra versão do relatório retirava da corporação recursos obtidos com bens apreendidos de organizações criminosas e direcionava essas receitas a fundos estaduais e distritais. Marivaldo Pereira, secretário nacional de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, classificou a mudança como um “verdadeiro retrocesso” e afirmou que ela enfraqueceria o financiamento da PF.
O Ministério da Justiça informou que os fundos federais sustentam ações de inteligência, reaparelhamento, capacitação e operações de longo prazo. Para a pasta, transferir esses recursos aos Estados poderia interromper a continuidade das investigações nacionais.
Derrite também propôs, em uma das versões, que o perdimento de bens apreendidos dependesse do trânsito em julgado da sentença. Auditores da Receita Federal disseram que a regra poderia prolongar os processos e dificultar a descapitalização das facções. O sindicato da categoria afirmou que o texto incentivaria a sonegação, o contrabando e o descaminho.
A versão aprovada pela Câmara foi modificada pelo Senado, que retomou mecanismos da proposta original do governo. O texto final ampliou as possibilidades de bloqueio patrimonial e determinou a distribuição de recursos entre fundos federais e estaduais de segurança, afastando parte das mudanças mais contestadas feitas na Câmara.
A atuação parlamentar contrasta com a imagem apresentada por Derrite em sua campanha ao Senado por São Paulo. O deputado afirma ter endurecido as penas para o crime organizado e associa sua trajetória à gestão da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, ao lado de Tarcísio de Freitas.
A propaganda também diz que a Cracolândia foi encerrada. O texto informa, porém, que houve dispersão da concentração antes localizada na Rua dos Protestantes, com usuários distribuídos por outros pontos do centro.
Na área de violência contra mulheres, São Paulo registrou 270 vítimas de feminicídio em 2025, conforme levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. No primeiro semestre de 2026, foram 141 ocorrências; como uma ocorrência envolveu duas mulheres assassinadas, o total de vítimas chegou a 142.
A proposta para 2026 da Secretaria de Políticas para a Mulher ficou em R$ 16,5 milhões, abaixo dos R$ 36,2 milhões aprovados inicialmente para 2025 pela Assembleia Legislativa. A diferença foi de 54,4%.







