São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Política

Douglas Ruas é alvo de questionamentos sobre negócios, contratos e poder familiar

Investigações e auditoria envolvem empresas ligadas ao candidato, contratos públicos e a atuação política da família em São Gonçalo.

Rio de Janeiro - Acusações de ligação com milícia e política como negócio de família: conheça as suspeitas que cercam Douglas Ruas

A trajetória política de Douglas Ruas, candidato do PL, é alvo de questionamentos relacionados à atuação de sua família em São Gonçalo, a negócios privados e a contratos públicos. O Ministério Público do Rio de Janeiro abriu apurações sobre empresas ligadas a ele, enquanto uma auditoria apontou possíveis irregularidades em contratos da Secretaria estadual de Cidades, comandada por Ruas entre 2023 e março de 2026.

O pai do candidato, Capitão Nelson, é prefeito de São Gonçalo, e o irmão, Nelson Ruas Filho, é vereador no município. Douglas também ocupou a Secretaria de Gestão Integrada e Projetos Especiais durante a administração do pai, antes de chegar à Assembleia Legislativa e ao governo estadual.

Investigações e contratos

Em junho de 2026, o MPRJ abriu uma apuração preliminar sobre a Saur Construção, Terraplanagem e Locação, da qual Douglas e o irmão são sócios, e a DM Invest, que reúne Douglas e a empresária Letícia Felício. O órgão pediu informações sobre possíveis pagamentos do governo do Rio às empresas. A Procuradoria-Geral do Estado informou que não encontrou pagamentos às duas companhias. A defesa declarou que elas não mantêm contratos com órgãos públicos.

Também há um inquérito civil aberto em maio de 2023 para apurar possíveis atos de improbidade administrativa e enriquecimento ilícito envolvendo Douglas e Thiago Saraiva, ex-secretário de Fazenda de São Gonçalo. Até agosto deste ano, o procedimento não havia sido concluído.

Na campanha de 2022 para a Assembleia Legislativa, o empresário Carlos Freitas Neves doou R$ 160 mil à candidatura. Três anos depois, uma empresa controlada por ele assinou contrato de R$ 732 mil com a Prefeitura de São Gonçalo, administrada por Capitão Nelson. O acordo previa pagamentos mensais de R$ 61 mil pela locação de um imóvel para a Fundação Municipal de Saúde e foi firmado por dispensa de licitação.

Mariana Barbosa de Souza, mulher de Douglas, havia sido sócia de Neves em duas empresas. Ele deixou as sociedades em agosto de 2025, antes do contrato. Douglas disse desconhecer a contratação. A prefeitura afirmou que a locação seguiu os procedimentos legais.

Patrimônio e auditoria

Empresas ligadas a Douglas e à mulher dele compraram imóveis e precatórios avaliados, nas escrituras, em mais de R$ 15 milhões entre 2023 e 2025. Em documento registrado na Junta Comercial, a Saur declarou R$ 19,6 milhões em lucros acumulados e previu distribuir os valores aos sócios até 2028. Douglas teria direito a aproximadamente R$ 15,9 milhões. Ele afirmou que a empresa atua no setor de logística e passou a investir em imóveis e ativos financeiros a partir de 2023.

A auditoria sobre contratos da Secretaria estadual de Cidades apontou, entre outros pontos, um aditivo de aproximadamente 45% em um contrato de recapeamento. O caso envolvia relações empresariais de pessoas próximas a Altineu Côrtes, aliado político de Douglas. Como o deputado possui foro, o material foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República. Douglas e os demais citados negaram irregularidades.

O histórico do pai também é mencionado nos questionamentos. Capitão Nelson foi citado na CPI das Milícias de 2008 com base em informações do Disque-Denúncia que o relacionavam a um grupo paramilitar. O inquérito foi arquivado, sem condenação ou processo em andamento por aquele episódio. Esses fatos não permitem afirmar que Douglas tenha pertencido ou pertença a uma milícia.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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