O presidente Lula fez um discurso considerado bom por Rubens Ricupero na 81ª Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, nesta terça-feira 22. Para o ex-embaixador do Brasil em Washington, a fala trouxe mensagens enfáticas sobre diferentes temas e apresentou críticas claras à posição dos Estados Unidos.
“Não é um discurso que usa expressões indiretas. Ele fala claramente e é bem crítico da posição norte-americana”, afirmou Ricupero. Na avaliação do diplomata, Lula foi menos explícito ao não mencionar diretamente o sequestro do então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por militares dos EUA.
Relação entre os presidentes
A avaliação de Ricupero também considera a mudança no contato entre Lula e Trump. Um ano antes, os dois haviam se encontrado informalmente nos corredores da Assembleia-Geral da ONU. Na ocasião, o presidente norte-americano chamou o petista de “um cara muito legal” e disse que os dois tinham “uma ótima química”.
Na reunião deste ano, não houve conversa entre os presidentes na antessala do plenário. Para o ex-ministro da Fazenda, a relação entre os países piorou desde o encontro anterior. “A mudança para pior tem como causa o tarifaço norte-americano contra o Brasil. Não é uma opinião subjetiva, é um fato objetivo”, declarou.
Ricupero afirmou que o contato entre os governos não foi interrompido. Lula e Trump mantêm um canal direto, enquanto o Itamaraty e o Escritório de Representação Comercial dos EUA continuam realizando reuniões. Ainda assim, segundo o ex-embaixador, não há uma solução no horizonte.
A conclusão do diplomata é que houve deterioração na comparação com o ano passado. O cenário ocorre às vésperas das eleições de 2026, período que o texto caracteriza como um ponto de inflexão para o futuro democrático. Também são mencionados o avanço da extrema-direita e conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia como fatores de instabilidade global.







