O Hcor recebeu habilitação do Ministério da Saúde para oferecer transplantes hepáticos e de medula óssea. Os programas devem começar com pacientes da saúde suplementar e particulares, e os primeiros procedimentos estão previstos para 2026.
A instituição estima realizar cerca de seis transplantes de fígado ainda em 2026. Em 2027, a previsão é alcançar uma média inicial de dois procedimentos por mês, com ampliação gradual até aproximadamente 60 transplantes anuais. Para o programa de medula óssea, a capacidade projetada é de até 10 transplantes ao mês.
Estrutura para transplante de medula
O programa de Transplante de Medula Óssea (TMO) já está estruturado e reúne cerca de 30 especialistas em uma equipe multiprofissional. A habilitação contempla transplantes autólogos, alogênicos aparentados — incluindo os tipos haploidêntico e HLA idêntico — e alogênicos não aparentados.
Em janeiro de 2026, o Hcor inaugurou uma unidade dedicada ao TMO, com investimento de R$ 10,3 milhões. O espaço tem 10 leitos com pressão positiva e negativa, além de filtros de ar-condicionado especializados para proteger pacientes imunodeprimidos. Segundo o Hcor, a unidade segue as diretrizes da Anvisa e do Ministério da Saúde.
A expansão ocorre em meio ao aumento da demanda por tratamentos hematológicos. A Estimativa 2026 do Instituto Nacional de Câncer (INCA) prevê 12.220 novos casos de leucemia no Brasil neste ano, número 21% maior que o projetado uma década antes. Em 2023, a doença provocou 7.435 mortes no país. Entre as condições que podem levar ao transplante estão leucemias, linfomas e mieloma múltiplo. O linfoma não Hodgkin foi associado a 4.860 óbitos em 2023, segundo o INCA.
Programa hepático
A equipe responsável pelos transplantes de fígado informa ter realizado mais de 600 procedimentos desde 2012. A experiência inclui protocolos para as etapas que vão da avaliação para entrada na lista de transplante ao acompanhamento ambulatorial depois da cirurgia.
A necessidade de ampliar esse atendimento também aparece em um estudo publicado em 2024 na revista The Lancet Regional Health – Américas. O levantamento indica que as doenças hepáticas responderam por cerca de 3% das mortes registradas no Brasil em 2020 — o equivalente a um em cada 33 óbitos — e que a taxa de mortalidade vem crescendo nas últimas décadas. Entre as doenças citadas estão câncer de fígado, enfermidade hepática relacionada ao álcool, cirrose, fibrose hepática, insuficiência hepática e hepatites virais crônicas.
O Hcor afirma que os transplantes exigem integração entre equipes, infraestrutura especializada e acompanhamento contínuo. No caso do TMO, o cuidado previsto inclui a avaliação do paciente, a busca por doador e a reabilitação do sistema imunológico. A instituição também informa que sua atuação passa a incluir essas áreas além da Cardiologia.








