São José dos Campos, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Saúde

Hospitais buscam antecipar riscos com princípios de alta confiabilidade

Modelo inspirado em setores de alto risco propõe identificar sinais precoces, aprender com falhas e criar barreiras contra danos evitáveis.

Hospitais buscam antecipar riscos com princípios de alta confiabilidade

Uma revisão publicada em 2026 na PLOS Global Public Health reuniu 11 estudos sobre a aplicação, na saúde, de princípios usados por organizações que operam sob alto risco. Em um dos estudos analisados, a adoção desse modelo esteve associada a uma redução de 71% em condições adversas adquiridas durante a internação e de 32% em eventos graves de segurança.

As condições avaliadas incluíam infecções, quedas, problemas relacionados a medicamentos e lesões por pressão. A proposta não é esperar que um incidente grave aconteça para agir, mas reconhecer sinais iniciais de risco, examinar falhas e criar proteções capazes de impedir que pequenos desvios evoluam para eventos adversos.

Cinco fundamentos para a segurança

O conceito é conhecido como Organização de Alta Confiabilidade, ou HRO, sigla em inglês para High Reliability Organization. Ele descreve instituições que atuam em ambientes de alto risco e conseguem manter operações seguras por longos períodos. Na saúde, a ideia é incorporar a segurança aos processos e à rotina dos hospitais.

Um dos fundamentos é tratar pequenas falhas como sinais que merecem atenção. Um atraso na administração de um medicamento, uma informação pouco clara ou uma etiqueta difícil de ler podem indicar fragilidades no sistema, mesmo quando não causam dano imediato.

Outro princípio é analisar a complexidade dos incidentes. Uma falha raramente decorre de um único fator. Comunicação entre equipes, processos de trabalho, sobrecarga, tecnologias, recursos disponíveis e condições do ambiente podem contribuir para um problema. Por isso, a investigação deve examinar o conjunto de circunstâncias, e não apenas atribuir responsabilidade a uma pessoa.

O modelo também exige atenção ao que ocorre na linha de frente. Relatórios e indicadores são insuficientes para mostrar todos os riscos. É necessário conhecer os gargalos enfrentados pelas equipes e entender como o trabalho de um grupo interfere no de outro.

A resiliência é outro componente. Como imprevistos podem ocorrer mesmo em sistemas planejados, a organização precisa responder rapidamente, limitar os efeitos do problema, preservar a segurança e aprender com o episódio. Em situações de crise, o conhecimento técnico de quem está mais próximo do caso deve ser considerado, independentemente do cargo ocupado.

Como levar o modelo para a rotina

A aplicação desses princípios envolve ouvir de maneira estruturada os profissionais sobre a cultura de segurança e as condições de trabalho. Pesquisas internas podem mostrar se as equipes se sentem apoiadas, conseguem relatar problemas e percebem riscos que ainda não chegaram à gestão.

A investigação de incidentes deve reconstruir o que ocorreu e identificar os fatores que contribuíram para a falha. Esse processo se relaciona à cultura justa, que diferencia uma falha humana ou uma fragilidade do sistema de um comportamento deliberadamente negligente. Se todo erro for tratado como culpa individual, os profissionais podem deixar de comunicar riscos por medo de punição.

Visitas regulares das lideranças aos setores ajudam a revelar dificuldades operacionais diretamente com quem executa o cuidado. Reuniões rápidas entre equipes, chamadas de huddles, permitem compartilhar informações, antecipar riscos e alinhar a compreensão sobre o atendimento.

As soluções também podem partir das próprias equipes. Listas de checagem para a passagem de plantão, dupla conferência e medidas para reduzir distrações durante a administração de medicamentos são exemplos de intervenções locais. A capacitação em ferramentas de qualidade e segurança pode transformar profissionais da linha de frente em referências dentro de seus setores.

O objetivo é formar um sistema menos dependente de ações individuais e mais preparado para prevenir falhas. Protocolos, comunicação estruturada, análise de incidentes e aprendizado contínuo funcionam como camadas de proteção. Para o paciente, esse trabalho aparece em práticas como a conferência de um medicamento, a transmissão correta de informações na troca de plantão e a identificação antecipada de uma infecção.

A alta confiabilidade não pressupõe que nenhum erro ocorrerá. Ela busca criar uma organização capaz de antecipar problemas, reconhecer vulnerabilidades e aprender continuamente. Para Fábio Gomes da Conceição, cardiologista e gerente de Práticas Médicas, Qualidade e Segurança do Paciente e Desfechos Clínicos do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a segurança depende de uma cultura integrada ao cuidado, e não de uma única tecnologia, protocolo ou profissional.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5