São José dos Campos, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Saúde

Por que a morte de uma pessoa pública pode provocar luto nas redes

Psicóloga explica como vínculos parasociais criados na internet podem fazer a morte de um influenciador ser sentida como uma perda.

Por que a morte de uma pessoa pública pode provocar luto nas redes
Foto: Lucas Emanuel/AGIF via AFP

A morte do influenciador e especialista em aviação Lito Sousa, aos 59 anos, provocou tristeza e sensação de vazio entre pessoas que acompanhavam seu trabalho nas redes sociais. No velório, realizado em São Paulo, admiradores fizeram filas para prestar homenagens.

A psicóloga oncologista Wlliane Flores Moreira, especialista em luto pelo Instituto de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, explica que a convivência física não é necessária para que uma relação tenha significado emocional. Segundo ela, acompanhar alguém durante anos, ouvir sua voz, conhecer seus pensamentos e esperar por novos conteúdos pode incorporar essa presença à rotina.

Na psicologia e na comunicação, esse tipo de relação é chamado de vínculo parasocial. Trata-se da sensação de proximidade desenvolvida por uma pessoa em relação a alguém que ela não conhece pessoalmente. As redes sociais ampliaram esse fenômeno ao inserir influenciadores e outras figuras públicas no cotidiano dos seguidores.

“Quando acompanhamos alguém durante anos, ouvimos sua voz, conhecemos seus pensamentos, esperamos pelos seus conteúdos e incorporamos aquela presença à nossa rotina, aquela pessoa passa a ocupar um espaço na nossa vida”, afirma Wlliane.

O significado da perda

Pesquisas sobre o luto pela morte de celebridades indicam que a intensidade da reação está ligada à proximidade percebida e ao significado atribuído à pessoa. Um influenciador pode representar uma fase da vida, um interesse, uma fonte de informação, uma identificação ou uma companhia cotidiana.

A morte também pode reativar sentimentos relacionados a outras perdas ou a medos pessoais. Para Wlliane, a pessoa pública pode funcionar como ponto de contato com emoções que já estavam presentes.

As redes ainda criam uma experiência coletiva. Fotografias, vídeos antigos, relatos e homenagens permitem que pessoas afetadas encontrem outras que passam pela mesma situação, o que pode trazer acolhimento e sensação de pertencimento. Por outro lado, a exposição contínua a imagens, vídeos e notícias pode manter o contato intenso com a perda. A psicóloga recomenda observar o que ajuda a elaborar o sentimento e o que começa a pesar.

Lito era mecânico de aeronaves, piloto e criador do canal Aviões e Músicas, no YouTube. O canal ultrapassou 3 milhões de inscritos e compartilhava informações sobre aviação e explicações de temas técnicos.

Em agosto de 2026, Lito revelou ter sido diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob, uma doença neurológica rara e de rápida progressão. Ele recebeu um tratamento experimental por uso compassivo e morreu 41 dias após revelar a condição.

“O sofrimento não precisa ser validado pelo grau de proximidade que existia entre as pessoas”, diz Wlliane. Para ela, se alguém fez parte da história de outra pessoa, a emoção diante da morte merece ser reconhecida.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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