A preparação psicológica antes de cirurgias de maior gravidade pode contribuir para a recuperação, especialmente entre pessoas mais velhas, indica um estudo publicado na quarta-feira na JAMA Network Open. Os autores defendem que os cuidados pré-operatórios incluam, além da preparação física, o acompanhamento de profissionais de saúde mental.
A pesquisa avaliou 306 adultos com 60 anos ou mais que aguardavam cirurgias cardíacas, oncológicas ou ortopédicas. Os participantes foram divididos em dois grupos. Um recebeu apenas materiais de autoajuda. O outro participou de oito a 12 sessões telefônicas com profissionais de saúde mental, como assistentes sociais ou conselheiros.
Esse segundo grupo também passou por uma avaliação individualizada feita por farmacêuticos e médicos. O objetivo era revisar os medicamentos e ajustar com segurança as doses dos remédios considerados de alto risco.
Três meses após a cirurgia, os participantes que receberam acompanhamento psicológico e revisão da medicação apresentaram uma redução dos sintomas de depressão e ansiedade entre 2,2 e 2,5 pontos maior que a observada no grupo que teve apenas acesso aos materiais educativos. A avaliação usou uma escala de 48 pontos.
Resultados entre pacientes oncológicos
As maiores melhoras na saúde mental ocorreram entre os participantes mais velhos submetidos a cirurgias oncológicas. Nesse grupo, os resultados ficaram quase cinco pontos abaixo dos registrados entre os participantes do grupo de controle.
Joanna Abraham, primeira autora do estudo, afirmou que o estresse provocado pela cirurgia pode intensificar sintomas de ansiedade e depressão e afetar a recuperação e a saúde geral. Eric J. Lenze, autor sênior, defendeu que preparar a mente e o cérebro é tão importante quanto preparar o corpo.
Michael S. Avidan afirmou que o atendimento deve considerar o paciente de forma integral, aproximando as áreas de anestesiologia e psiquiatria. Os participantes também relataram experiências positivas com os profissionais de saúde mental e com os farmacêuticos envolvidos na retirada de medicamentos desnecessários.
Para Abraham, o modelo é simples de incorporar aos fluxos cirúrgicos existentes. Segundo ela, pacientes e profissionais consideraram o programa administrável, e o acompanhamento preventivo da saúde mental não precisa sobrecarregar o sistema hospitalar.







