São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Saúde

Saliva do mosquito explica diferenças nas reações às picadas

Proteínas presentes na saliva ativam uma resposta imune que pode causar coceira, inchaço e, em casos raros, reações intensas.

Saliva do mosquito explica diferenças nas reações às picadas
Foto: cacio murilo de vasconcelos/Getty Images

A saliva do mosquito é um dos principais fatores que explicam por que algumas pessoas desenvolvem marcas grandes, inchadas e muito pruriginosas após uma picada, enquanto outras quase não percebem o contato. A intensidade da reação também pode mudar ao longo do tempo.

Quando pica, o mosquito injeta saliva na pele. O sistema imune identifica esse material como estranho e libera histamina, substância associada à vermelhidão, ao inchaço e à coceira. A saliva, porém, contém outras proteínas e compostos biologicamente ativos que interferem na resposta imune local.

Como o organismo reage

Entre as funções dessas proteínas está impedir a coagulação do sangue e manter o fluxo sanguíneo, facilitando a alimentação do inseto. Elas também alteram o ambiente imune da pele poucos minutos depois da picada.

A saliva direciona o sistema imune para a chamada resposta Th2, mais relacionada a reações alérgicas do que ao combate a infecções. Com isso, os vasos sanguíneos próximos ficam temporariamente mais permeáveis, atraindo células imunes para a região. O resultado costuma ser uma combinação de vermelhidão, inchaço e coceira.

Essa alteração também pode facilitar que vírus transportados pelo mosquito se estabeleçam na pele e se espalhem pelo corpo. Entre os vírus citados estão os da dengue, do zika e do Nilo Ocidental.

Por que a intensidade varia

Um estudo genético com mais de 84.000 participantes registrou reações que iam de pequenas protuberâncias a inchaços grandes e intensos. Até uma mesma pessoa pode reagir de formas diferentes ao longo da vida.

Crianças frequentemente apresentam reações mais fortes porque ainda tiveram menos contato com mosquitos. A exposição repetida a uma mesma espécie tende a reduzir a intensidade da resposta, à medida que o sistema imune se adapta. Por outro lado, espécies desconhecidas podem provocar reações mais intensas, já que sua saliva contém proteínas às quais o organismo ainda não foi exposto.

A genética também pode influenciar esse processo, por meio de diferenças hereditárias na regulação do sistema imune. Na maioria dos casos, a reação intensa está relacionada a uma hipersensibilidade leve à saliva.

Um número muito menor de pessoas desenvolve a chamada síndrome de Skeeter. Nessa condição, o inchaço se estende além do local da picada e pode ser confundido com celulite bacteriana, uma infecção de pele que causa vermelhidão e inchaço. A síndrome é associada a uma resposta imune excepcionalmente forte às proteínas da saliva, com participação de anticorpos específicos e outras respostas inflamatórias.

A causa exata dessa hipersensibilidade não é conhecida. Idade, exposição anterior a mosquitos e suscetibilidade individual podem ter influência. Reações alérgicas graves são extremamente raras.

Cuidados e prevenção

Compressas frias podem ajudar a reduzir o inchaço. Anti-histamínicos orais e cremes tópicos com corticosteroides leves podem aliviar a coceira e a inflamação, especialmente quando usados logo no início. É recomendado evitar coçar, porque isso pode prolongar a inflamação, danificar a pele e aumentar o risco de infecção.

Pessoas com reações excepcionalmente intensas, piora da dor ou febre devem procurar orientação médica. Para reduzir o risco de picadas, podem ser usados repelentes de insetos, roupas que cubram a pele exposta e mosquiteiros tratados com inseticida em locais onde ocorrem doenças transmitidas por mosquitos.

Relação com doenças transmitidas por mosquitos

As proteínas da saliva também são estudadas por sua possível influência na transmissão de patógenos. As mudanças imunes provocadas pela saliva parecem ajudar alguns vírus a iniciar uma infecção mais forte e a se espalhar mais rapidamente do que ocorreria se fossem introduzidos sem esse fluido.

Na malária, um estudo observou que crianças infectadas com Plasmodium falciparum, parasita responsável pela forma mais grave da doença humana, apresentavam odores corporais diferentes dos registrados em crianças não infectadas. Alguns compostos estavam em níveis mais altos, e os mosquitos eram atraídos por parte desses odores.

Os resultados sugerem que o parasita pode alterar o odor do hospedeiro e aumentar a atração dos mosquitos, o que potencialmente favoreceria a transmissão. Por isso, pesquisadores estudam vacinas voltadas à saliva do mosquito, além das vacinas destinadas aos patógenos transportados pelo inseto.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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