A remissão completa da depressão não é alcançada por uma parcela dos pacientes após o início do tratamento com antidepressivos. Quando há melhora, mas ainda permanecem manifestações da doença, o quadro é definido pela psiquiatria como resposta parcial.
A persistência de sintomas pode passar despercebida porque o paciente deixa de apresentar as manifestações mais intensas e retoma parte da rotina. Mesmo assim, fadiga, alterações do sono e dificuldade de concentração podem continuar afetando a funcionalidade e a qualidade de vida. A redução dos sintomas mais graves também pode levar paciente e médico a considerar o resultado suficiente.
Estudos científicos associam a permanência desses sintomas a um risco maior de recaída e recorrência do transtorno. Dados do estudo Sequenced Treatment Alternatives to Relieve Depression (STAR*D) mostram ainda que a remissão nem sempre é obtida na primeira tentativa com antidepressivo e que as taxas de sucesso diminuem progressivamente a cada nova etapa do tratamento.
Alternativas à troca do antidepressivo
A troca da medicação é uma conduta historicamente usada diante de uma resposta parcial e pode ser adequada em diferentes situações. No entanto, a otimização do tratamento também pode envolver terapias adjuvantes, que têm o objetivo de potencializar a ação do antidepressivo.
Uma das opções estudadas é o levomefolato de cálcio, ou L-metilfolato, forma biologicamente ativa do folato. Diferentemente do ácido fólico convencional, ele participa diretamente de processos ligados à síntese de neurotransmissores relacionados ao humor, como serotonina, dopamina e noradrenalina.
Evidências recentes sugerem que alguns perfis clínicos podem obter mais benefícios com o L-metilfolato. Entre eles estão pacientes com índice de massa corporal elevado e níveis aumentados de biomarcadores inflamatórios, como proteína C-reativa ultrassensível e determinadas citocinas inflamatórias.
Para Felipe Lobo, psiquiatra e supervisor do ambulatório de transtornos de personalidade da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o objetivo do tratamento deve ser a remissão e a recuperação funcional, e não apenas a redução dos sintomas. Isso inclui recuperar autonomia, produtividade, relacionamentos e qualidade de vida de forma consistente. A resposta parcial, portanto, requer investigação e manejo específicos.








