Cansaço, dificuldade para dormir, falta de concentração e alterações de humor podem ter relação com a alimentação, embora ansiedade e depressão não sejam causadas exclusivamente por ela. Deficiências nutricionais e o consumo elevado de substâncias estimulantes podem contribuir para alguns sintomas ou intensificá-los em pessoas mais suscetíveis.
A nutricionista Bruna Makluf, formada em saúde metabólica pela Universidade Federal de Alfenas (Unifal), afirma que a investigação não deve considerar apenas causas emocionais. “O exame ajuda a entender o que está acontecendo antes de qualquer suplementação”, diz.
Ferro e vitamina B12
A deficiência de ferro pode estar associada a cansaço e baixa disposição. Uma publicação de 2025 da revista Neuroscience & Biobehavioral Reviews reuniu 18 estudos, com 1.408 participantes, para avaliar os efeitos da suplementação sobre aspectos psiquiátricos e cognitivos.
Nos ensaios clínicos randomizados, a reposição de ferro melhorou sintomas de ansiedade e fadiga, além do bem-estar físico e de alguns indicadores cognitivos. Não houve melhora significativa da depressão nesses ensaios. Os benefícios foram mais evidentes entre os participantes que tinham deficiência do nutriente. O estudo também indica que a falta de ferro pode afetar funções cerebrais antes do surgimento da anemia.
A vitamina B12 participa do funcionamento do sistema nervoso. Níveis baixos podem estar relacionados a cansaço, alterações neurológicas e sintomas depressivos. Um estudo longitudinal publicado em 2021 acompanhou adultos mais velhos e encontrou associação entre baixa concentração da vitamina e o surgimento de sintomas de depressão. A associação, porém, não prova que a deficiência seja sozinha a causa do quadro.
Cafeína e energéticos
O café não precisa ser retirado obrigatoriamente da rotina, mas o excesso de cafeína pode afetar algumas pessoas. A substância também está presente em energéticos, chás, refrigerantes e outros produtos.
Uma revisão publicada em 2026 na revista Stress and Health encontrou evidências predominantemente favoráveis a um efeito ansiogênico da cafeína, sobretudo com o aumento da dose. Pessoas que não costumam consumir a substância podem ser mais sensíveis a seus efeitos. A quantidade, a frequência e o horário de ingestão também devem ser considerados, especialmente quando há agitação, ansiedade ou dificuldade para dormir.
Energéticos podem concentrar cafeína e outros estimulantes. O consumo excessivo ou próximo do horário de dormir pode dificultar o sono e aumentar a agitação em algumas pessoas. A piora do descanso pode contribuir para sintomas de ansiedade e favorecer um ciclo de cansaço e maior consumo de estimulantes durante o dia.
Alimentação é parte do cuidado
Ansiedade e depressão são condições multifatoriais, relacionadas também a aspectos biológicos, psicológicos, sociais e ambientais. Por isso, a suplementação não deve ser iniciada sem avaliação.
Segundo Bruna, a nutrição pode integrar o cuidado quando há deficiência nutricional ou um hábito alimentar capaz de agravar sintomas, mas não substitui psicoterapia, psiquiatria ou tratamento médico. A avaliação deve considerar cada pessoa de forma ampla e contar com diferentes profissionais quando necessário.
Em casos de sofrimento mental intenso, o Ministério da Saúde orienta buscar atendimento em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou em um serviço de urgência e emergência.







