O endividamento agregado das empresas de tecnologia passou de cerca de US$ 22 bilhões (cerca de R$ 113 bilhões) em 2010 para mais de US$ 1 trilhão (R$ 5 trilhões) em 2025, segundo relatório divulgado pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS). A participação dessas empresas no crédito privado subiu de 22% para 44% no período.
Considerando empréstimos de todos os tipos, o estoque de crédito em aberto do setor chega a aproximadamente US$ 2,5 trilhões (R$ 12,8 trilhões). Para Frank Smets, chefe de análise econômica do BIS, o crescimento acelerado da dívida e da alavancagem financeira é o principal motivo de preocupação relacionado à inteligência artificial.
“Em vários casos, elas ficam fora dos balanços das empresas e apresentam uma espécie de estrutura circular”, afirmou Smets, ao comentar a falta de transparência em parte das operações de financiamento.
Incerteza nos mercados
O BIS afirmou que a valorização das bolsas mundiais nos últimos dois anos, impulsionada pela inteligência artificial, apresenta sinais crescentes de vulnerabilidade. O relatório registra que os investidores estão cada vez mais cautelosos sobre a capacidade de os próximos investimentos em IA gerarem lucros.
A avaliação ocorre enquanto grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos elevam o nível de endividamento. A onda de crédito ligada ao setor, que já movimentou centenas de bilhões de dólares, pode contribuir para o aumento dos custos de financiamento no mercado de títulos públicos, refletidos nas taxas de rendimento.
O documento também descreve um ambiente internacional de incertezas, com pressões sobre as contas públicas, tensões geopolíticas e volatilidade nos preços da energia. Smets relacionou esse quadro à fragilidade fiscal e ao aumento das incertezas na economia mundial.
Apesar dos riscos, o economista disse que não há, de modo geral, sinais de estresse nos mercados. A disposição dos investidores para assumir riscos permaneceu “notavelmente resiliente” nos últimos meses. Ele ponderou, porém, que ainda é incerta a capacidade de os mercados manterem essa resistência, sobretudo se continuar a pressão de alta sobre os rendimentos dos títulos.
Alertas sobre a inteligência artificial
As ações ligadas à inteligência artificial registraram forte queda na segunda-feira, depois que dirigentes de algumas das principais empresas do setor defenderam, durante o fim de semana, uma desaceleração no desenvolvimento da tecnologia para evitar ameaças à humanidade.
O BIS, que reúne os principais bancos centrais do mundo, vem alertando nos últimos anos para os níveis elevados de endividamento mundial e os riscos de possíveis bolhas nos mercados acionários. Smets também reforçou um alerta feito na semana passada por Pablo Hernández de Cos, presidente da instituição, sobre os riscos da expansão da IA para a estabilidade financeira.








