O chairman e sócio do BTG Pactual, André Esteves, afirmou nesta segunda-feira que o risco institucional preocupa mais do que os desafios econômico e fiscal enfrentados pelo Brasil. Para ele, o próximo presidente terá referências e caminhos conhecidos para lidar com a economia, enquanto uma deterioração institucional poderia levar o país a um patamar comparável ao do México e da Rússia.
Esteves participou da 4ª edição do Seminário Brasil Hoje, realizado pelo Grupo Esfera. Ele afirmou que as dimensões fiscal e institucional estão relacionadas, mas considerou a segunda uma frente prioritária. “A sociedade e o setor produtivo não podem perder essa guerra institucional”, disse.
O banqueiro descreveu o cenário como uma disputa entre o “Brasil institucional” e o “Brasil não institucional”. Como exemplo de uma possível degradação, mencionou setores regulares da economia que se tornaram 20% informais e empresas que geraram rombos de dezenas de bilhões. Segundo ele, a batalha ainda não está vencida e a sociedade não deve baixar a guarda.
Eleições e cenário econômico
Ao comentar a eleição presidencial, Esteves estimou uma disputa virtualmente equilibrada, de 51% a 49%, e avaliou que seria estatisticamente difícil definir o vencedor no primeiro turno. Embora tenha apontado uma ligeira vantagem da direita na intenção de voto, disse não ser possível saber quem vencerá.
Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (14) mostra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 40% das intenções de voto, ante 36% de Flávio Bolsonaro (PL). Augusto Cury (Avante) aparece com 7%; Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), com 4% cada; Pablo Marçal, com 2%; e Romeu Zema (Novo) e Samara Martins (UP), com 1% cada.
Esteves afirmou que qualquer vencedor receberá um país mais organizado do que em governos passados, como em 1994 ou 2002, com inflação entre 4% e 4,5%, US$ 370 bilhões em reservas cambiais e um mercado de capitais pujante.
Para o chairman, o ajuste fiscal já tem um caminho comprovado e deve partir da premissa de não gastar mais do que se arrecada. Ele defendeu três ou quatro medidas simples para equilibrar as contas, sem tratar o tema como uma pauta ideológica.
Esteves também criticou a taxa de juros de 14%, que classificou como “sufocante e não civilizatória”, e defendeu um patamar próximo de 7%. Na avaliação dele, a redução teria impacto sobre empresas, bancos, mercado de capitais, infraestrutura e a base da pirâmide.








